Emerson Cervi e
Leandro Donatti
De Curitiba
Nas poucas horas que ficará como governador em exercício hoje, o presidente da Assembléia Legislativa Aníbal Khury (PFL) promete suspender as construções de barracos de madeira feitas pelo Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no acampamento montado há um mês em frente ao Palácio Iguaçu. O deputado anunciou ontem que vai reunir-se com uma equipe de advogados e com a Secretaria de Segurança para encontrar uma forma de coibir as construções, iniciadas há cerca de 10 dias e em fase de conclusão ontem.
‘‘A praça (Nossa Senhora da Salete) é propriedade do Estado. Os sem-terra não podem fazer o que bem entendem. Barracas de lona sinalizam protesto, uma manifestação temporária. Mas barracos de madeira, uma provocação. A instalação de uma favela no Centro Cívico.’’ Khury passou o final de semana engendrando um plano para no mínimo intimidar o MST, durante a sua efêmera passagem pelo governo do Estado. Khury está no lugar de Lerner desde sábado. O governador está em viagem à Argentina e retorna à noite.
O ‘‘terrorismo’’ do presidente da Assembléia contra o MST começou semana passada, quando a vice-governadora Emília Belinati (PTB) pediu licença para viajar aos Estados Unidos e o deputado soube que iria assumir o governo. Khury acusou o governo de ser muito tolerante com os sem-terra. E ameaçou desmontar o acampamento caso, durante a interinidade, tivesse o respaldo de uma decisão judicial. Ontem, aparentemente, a idéia de desocupação não teria evoluído. Ainda mais que Lerner, antes de viajar, pediu a Khury que não interfira no processo, em negociação.
O clima no acampamento ontem era de apreensão com a interinidade de Khury. ‘‘Ele é mais duro que o governador’’, observou um dos acampados. O grupo acelerava o levantamento do último barraco de madeira previsto. Os líderes do MST pretendem concluir hoje a transferência das famílias das barracas de lona para as novas construções. Segundo os coordenadores, cerca de 500 pessoas ficarão acampadas na praça por tempo indeterminado. As barracas de madeira revestidas por lona substituem as construídas inicialmente sobre a grama, que eram apenas de lona.
O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, espera para hoje a chegada de novas famílias. ‘‘É um reforço para resistirmos a qualquer tentativa de desocupação do acampamento.’’ O coordenador não informou de quanto será o reforço. Garantiu que as famílias excedentes ficarão no máximo uma semana em Curitiba. ‘‘Achamos que não é preciso tomar o caminho da violência porque a praça é municipal e o acampamento temporário, nenhuma ação de força por parte do governo não se justificaria’’, ponderou.
O último barraco de madeira, até ontem em construção, tem cerca de 30 metros quadrados e servirá como uma das cozinhas coletivas do acampamento. ‘‘Como o acampamento está dividido em 13 regiões, teremos uma cozinha para cada região’’, explicou outro coordenador, Luis Alonso Sales. O líder sem-terra supervisionava as obras. Ele contou que foram construídos 9 mil metros quadrados de barracos de madeira.
Assim que terminarem a retirada das barracas de lona que estão sobre a grama da praça, os sem-terra ficarão à disposição da Prefeitura de Curitiba para recuperar a área. ‘‘Estamos dispostos a consertar qualquer dano eventualmente causado’’, prometeu a coordenação do MST. A previsão é que até amanhã todas as barracas de lona sejam retiradas da grama. O mutirão sinalizado pelo MST ontem começaria depois disso.Presidente da AL assume governo hoje e já convocou reunião para discutir formas de suspender as construções dos barracos de madeira
Kraw PenasCasa novaParte dos sem-terra acampados em frente ao Palácio já foram transferidos para os barracos de madeira

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