Aníbal diz que Covas não deve coordenar debate de governadores
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 08 (AE) - O secretário da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico paulista, José Aníbal, disse que o governador Mário Covas (PSDB-SP) poderá ajudar na interlocução entre o governo federal e os governadores de oposição, mas não poderá assumir a coordenação desse debate. "O governador Covas tem conversado, ouve, faz sugestões, mas não pode assumir a coordenação da conversa, ela tem que ser feita pelo governo federal, que é o credor da dívida".
Para Aníbal, além de Covas, outro governador tucano, Tasso Jereissati, do Ceará, poderia ser um dos interlocutores. "Os que já fizeram sua parte podem ajudar, até para que os demais governadores saibam como se faz o saneamento das contas públicas", disse. Segundo Aníbal, até agora se fez "muito barulho e não se produziu nenhum resultado". Na opinião dele, o governo federal está tentando encontrar formas de compensação, como a redução de alguns dos incentivos fiscais previstos na Lei Kandir. "Agora, renegociar, repactuar taxa de juros, prazos e limites de comprometimento com o pagamento da dívida, é muito difícil", disse Aníbal.
Ele criticou o documento emitido na sexta-feira última pelos seis governadores de oposição, intitulado Carta de Porto Alegre. "Ela acabou freando a racionalidade da discussão, não é uma carta é quase um ultimato", disse Aníbal, referindo-se às reivindicações dos seis governadores explicitadas no documento.
Aníbal disse também desconhecer qualquer articulação para indicar o governador Covas como interlocutor oficial entre governo federal e governadores de oposição. "Ao que me consta não houve nenhuma conversa sobre esse assunto. Quem esteve com o Covas foi o Tasso (Tasso Jereissati, do Ceará) e o Perilo (Marconi Perilo, de Goiás), ambos do PSDB. O resto são sugestões
a Erundina sugeriu e outros governadores da oposição sugeriram", disse Aníbal, referindo-se à proposta da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), apresentada aos governadores de oposição na reunião de sexta-feira em Porto Alegre.


