Aníbal cobra firmeza de governador
Leandro Donatti
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), cobrou ontem pulso do governador Jaime Lerner (PFL) na queda-de-braço com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acampado há um mês em frente ao Palácio Iguaçu. O governo está sendo muito tolerante. Tolerância demais vira bobeira, classificou. Aliado de Lerner, o deputado disse que se na próxima segunda-feira, quando assumir interinamente o governo, estiver respaldado por uma decisão judicial não pensará duas vezes em promover a desocupação da praça.
O governador irá para a Argentina, na segunda-feira, representar o presidente Fernando Henrique na posse do governador de Córdoba, José Manuel De La Sota.Eu sou um cumpridor da lei. Mas para isso preciso de uma decisão judicial. A ordem neste Estado precisa ser mantida, pregou. O presidente da Assembléia culpou os governos estadual e federal pelo imbróglio que se transformou a questão agrária no Paraná.
Khury não escondia seu descontentamento com o desenrolar dos fatos. O deputado não viu com bons olhos o último protesto dos sem terra: a construção de barracos de madeira em plena praça do Centro Cívico. Estão extrapolando. Khury disse que a reclamação é generalizada. O MST perdeu o total apoio da população, que está repudiando essa atitude. O deputado recebeu nota oficial assinada pela bancada ruralista, exigindo a desocupação do Centro Cívico pelo MST.
O documento subscrito pelos deputados Plauto Miró Guimarães (PFL), Luiz Accorsi (PTB), Edno Guimarães (PL), Miltinho Puppio (PSC) e Hermas Brandão (PTB) provoca o Ministério Público, o Poder Judiciário e o Poder Executivo a tomar uma atitude para pôr fim ao acampamento. Junto com a nota, circulava ontem pelos corredores da Assembléia cópia de uma ação padrão pedindo a reintegração de posse da praça invadida.
Conclamamos a atuação das autoridades quanto ao resguardo da ordem pública, uma vez que a violação abrange uma praça, bens e serviços municipais e estaduais, além de instalações sob administração da Justiça Estadual para abrigar o Fórum de Curitiba, dizia o documento. A Folha tentou contato com o Palácio para repercutir as cobranças de Khury, mas não foi possível.





