Anheuser-Busch venderá seus 5% de volta à Antarctica
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Paulo Sotero 
Washington, 2 (AE) - A Anheuser-Busch Cos.Inc., de Saint Louis, Missouri, anunciou hoje que venderá de volta à Cervejaria Antarctica Paulista sua participação de 5% na companhia brasileira, que adquiriu em 1996 por US$ 57,5 milhões. Mesmo assim, a empresa americana, que é a líder mundial dos fabricantes de cerveja, afirmou que continua interessada no mercado brasileiro e já tem um entendimento em princípio com os executivos da empresa sucessora da Antartica e da Brahma para continuar a produção de sua popular cerveja em lata Budweiser no País, sob um novo tipo de acordo ainda a ser negociado.
O presidente e principal executivo da Anheuser-Busch International, Stephen Burrows, disse hoje à Agência Estado que o anúncio público do fim da sociedade com a Antarctica "é um evento separado e apenas coincidente" com o anúncio da fusão das duas maiores companhias cervejeiras brasileiras. Segundo ele
a decisão deriva em grande parte de uma exigência que o Cade fez ao aprovar a aquisição de parte do capital da Antarctica pela Anheuser-Busch, impondo o prazo de 30 de junho para a empresa americana exercer a opção de compra de mais US$ 82 milhões em ações e aumentar sua participação na companhia brasileira ou liquidar a sociedade. Mas ela foi influenciada, também , pelo efeito da desvalorização da moeda e da recessão.
"Como o investimento inicial não satifez os nossos critérios de retorno e a opção tinha um preço fixo em dólares, decidimos não exercê-la", explicou Burrows. Ele admitiu que a empresa sofreu "uma pequena perda" no investimento inicial.
Segundo o executivo, no início da semana a Anheuser-Busch comunicou sua decisão à Antarctica e ficou combinado que as duas empresas fariam um anúncio conjunto na semana que vem. "Mas, na quinta-feira, depois que soubemos do plano da fusão da Antarctica e da Brahma, decidimos que seria do interesse de todos fazer o anúncio o quanto antes", disse.
A Miller Brewer Company, uma subsidiária da Philip Morris e a principal concorrente da Anheuser-Busch nos EUA, tem um acordo comercial com a Brahma para a produção e distribuição da cerveja Miller Genuine Draft no Brasil. De imediato, este não deve ser afetado pela fusão das duas companhias brasileiras. "A Miller está comprometida com o crescimento de seus negócios no mercado brasileiro e não espera qualquer mudança ou interrupção na distribuição de sua cerveja aos consumidores brasileiros", informou a cervejaria sediada em Milwakee, Wisconsin.
Mas o fato é que, se a Anheuser-Busch acertar novo acordo para continuar a produção da Budweiser, a AmBev Bebidas Americanas - a companhia resultante da fusão da Brahma e da Antarctica - ficará na posição inusitada de fabricar e distribuir no Brasil duas marcas de cerveja de companhias rivais nos EUA. Apesar de terem afirmado seus planos de continuar no mercado brasileiro, onde detém, juntas, menos de 1% do mercado, tanto a Anheuser-Busch como a Miller indicaram ontem que poderão reexaminar suas estratégias no "Será preciso definir um cenário mais completo da estrutura desta nova associação (entre a Brahma e a Antarctica) antes de determinar se a continuidade do relacionamento com a Brahma corresponde aos interesses da Miller", informou a empresa, acrescentando que avaliará a situação nas próximas semanas.
Burrows, da Anheuser-Busch, adiantou que não espera problemas com a Cade para a aprovação de um acordo de produção e distribuição da Budweiser com a Antarctica, mas também abriu a porta para alternativas.
"Tudo vai depender dos termos do acordo", disse ele. "Eles disseram em seu comunicado de imprensa que manterão sistemas de distribuição separados. Presume-se, daí, que a Miller continuaria a ser vendida por intermédio dos distribuidores da Brahma e a Budweiser, pelos da Antartica, e isso não seria um problema para nós ". Segundo Burrows, "teríamos um problema se a nossa marca não recebesse a suficiente atenção".
Quanto à fusão da Brahma e da Antarctica, Burrows disse que "é uma grande idéia". Segundo ele, as duas companhias juntas serão mais fortes do que a soma do que são, separadamente. "É bom para a indústria da cerveja no Brasil, porque a torna mais competitiva na América do Sul e, mesmo não tendo um pedaço da nova companhia, podemos ter uma continuação da produção e da distribuiçao (da Budweiser) e temos também um acordo em princípio com os executivos da nova companhia sobre outras colaborações possíveis no futuro", disse.


