São Paulo, 30 (AE) - A Anhembi Turismo e Eventos da Cidade São Paulo, empresa de economia mista controlada pela Prefeitura, é o mais novo foco das investigações da CPI dos Fiscais da Câmara.
A desconfiança do presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), é de que a empresa se tenha transformado, assim como a Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam)
em abrigo de funcionários indicados ou apadrinhados de vereadores e políticos.
A CPI solicitou hoje formalmente à Anhembi a listagem completa de seus funcionários e da empresa Mainpower, que fornece mão-de-obra para a Anhembi. O pedido ocorreu depois do depoimento de Vladimir Augusto Ferreira, que trabalhou na Anhembi por meio da Mainpower, e afirmou ter sido contratado atendendo à indicação do vereador Vicente Viscome, que está foragido da polícia.
Ferreira disse que trabalhou durante seis meses na Anhembi. Nesse período, não soube explicar muito bem sua função. Durante o carnaval, ajudaria a "cuidar" das escolas de samba, mandando retirar carros alegóricos, por exemplo. Nos outros meses, confessou que ia para o escritório político do vereador Vicente Viscome.
Antes, ele teria sido nomeado para trabalhar nas Administrações Regionais de São Mateus e Penha - controladas por Viscome. Segundo o vereador Cardozo, o depoimento de Pereira foi interrompido na noite de segunda-feira porque, como testemunha, ele apareceu para depor com o mesmo advogado de Viscome. Ele deverá ser reinquirido amanhã.
Caixa-preta - "A Anhembi é uma caixa-preta, que agora teremos oportunidade de abrir", afirmou o vereador Cardozo. A empresa, que entre outras coisas organiza o carnaval da cidade, é utilizada pela Prefeitura para contratar mão-de-obra qualificada sem concurso. Para a CPI, no entanto, pode significar um "cabide de empregos".
Hoje, o vereador Bruno Feder (ex-PPB, sem partido) confirmou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que o motorista de seu gabinete, Wagner Augusto, é contratado pela Anhembi. "Não sabemos se isso é ilegal."
A Agência Estado apurou que a empresa teria entre seus funcionários várias pessoas indicadas por vereadores e políticos
que não apareceriam para trabalhar. A CPI pretende saber quantos funcionários encontram-se cedidos para outros departamentos da administração municipal ou mesmo para a Câmara.
O vereador José Izar (PFL) irritou-se hoje ao ser questionado pela AE se teria algum vínculo com a Anhembi. Ele declarou em seu Imposto de Renda de 1996 que no ano anterior teria recebido R$ 17.905,00 da Anhembi Turismo a título de "trabalho assalariado".
Segundo informou hoje o presidente da Anhembi, Ricardo Lopes Castello Branco, Izar teria-se desligado da empresa em junho de 1996, quando era candidato a vereador. Castello Branco não soube informar se algum parente de Izar trabalha atualmente na empresa. Ficou de obter a informação amanhã.
O presidente da Anhembi disse que desconhece que funcionários sejam indicados por vereadores e deslocados para outros órgãos da administração. "O único vereador que trabalhou lá foi o Alan Lopes, quando ainda não estava na Câmara", disse. Atualmente, segundo Castelo Branco, a empresa teria de 500 a 600 funcionários.

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