Angra terá de demolir 500 casas
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terça-feira, 05 de janeiro de 2010
Alfredo Junqueira<BR>Agência Estado 
Angra dos Reis - A Prefeitura de Angra dos Reis (Rio) estima que terá de demolir pelo menos 500 casas nas encostas dos 15 morros na região central do município. Segundo o prefeito Tuca Jordão (PMDB), todos os imóveis correm risco de desabamento caso volte a chover. O número, no entanto, é uma estimativa inicial. Pode aumentar após análise que está sendo feita por técnicos da GeoRio, autarquia do município do Rio, e especialistas de universidades públicas. O vice-prefeito da cidade, Essiomar Gomes, declarou que os prejuízos provocados pela chuva ultrapassam R$ 200 milhões.
Pelo menos 100 dessas residências estão localizadas no Morro da Carioca, onde 21 pessoas morreram na madrugada de 1º de janeiro, após deslizamento de terra. O número de vítimas confirmadas em Angra entre os dias 30 de dezembro e 1º de janeiro já chega a 50. Além da tragédia na comunidade, outras 29 pessoas também morreram na enseada de Bananal, na Ilha Grande, onde uma pousada e sete casas foram soterradas.
Ontem, bombeiros e voluntários que participam das buscas no Morro da Carioca encontraram os corpos de mais quatro vítimas: Anezio Roberto da Conceição, de 53 anos; Carlos Henrique Carvalho Narciso, 11; Henrique Carvalho Narciso, 7, e Matheus Emídio de Carvalho, 10. Segundo o Corpo de Bombeiros, há ainda uma pessoa desaparecida. Trata-se de Alessandra Emídio Carvalho, 11, irmã de Matheus e um dos seis filhos do ajudante de serviços gerais Jorge Carvalho, 43 anos. ''Perdi quase toda a minha família. É um aperto muito grande no coração cada vez que eu tenho de identificar o corpo de um de meus filhos'', disse.
Pela manhã, o prefeito visitou o morro e foi muito criticado pelos moradores. Alguns se queixavam que suas casas estavam em áreas de risco, outros diziam que não tinham para aonde ir e reclamavam da falta de informações. A auxiliar de laboratório Maria de Fátima Pinheiro da Cunha, 41, parou o prefeito para perguntar se ele teria coragem de passar a noite com sua família em uma das casas da comunidade. Jordão não respondeu.
''Vir aqui e recomendar aos moradores que saiam de suas casas quando começar a chover é fácil. Quero ver uma autoridade ter coragem de ficar aqui conosco. Uma noite apenas'', criticou Maria de Fátima, que divide uma casa com o marido e dois filhos.
O prefeito procurou acalmar a população e anunciou que ofereceria recursos para os desabrigados alugarem novas casas. Ele estabeleceu que o chamado ''aluguel social'' seria de até R$ 510, novo valor do salário mínimo.
Tempo
As chuvas que castigaram o estado do Rio de Janeiro na última semana darão uma trégua até hoje. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o estado registrará pancadas de chuva já na próxima quarta-feira, dia 6, e o tempo permanecerá fechado pelo menos até o fim da semana. (Com Agência Brasil)


