Angra I tem vazamento, afirma físico
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Rubens Santos Especial para AE 
O professor de física nuclear e membro da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Luiz Pinguelli Rosa disse ontem que está ocorrendo vazamento na usina de Angra I devido a falhas nas varetas de combustível. A operação da usina, segundo ele, foi paralisada há cerca de 50 dias e uma inspeção detectou falhas também no gerador de vapor do reator. Está ocorrendo vazamento há muito tempo, denunciou Pinguelli, antes de participar da Conferência Internacional sobre o Acidente Radiológico, em Goiânia. O nível de radioatividade atual é progressivo, maior que o normal, e chegou a um nível crítico, afirmou.
Pinguelli explicou que a inspeção no reator foi feita por ele, assim como um relatório sobre a segurança da usina, a pedido da juíza federal Maria Tereza Longo, do Rio. A juíza, afirmou, instrui processo sobre a fusão da Nuclen com Furnas S.A., e o relatório constatou que várias varetas estão rompidas. O vazamento estaria localizado no circuito primário do reator.
O gerador de vapor é um outro problema que ainda não chegou a um nível crítico, mas está caminhando nesse sentido e isto é muito grave, disse ele. Técnicos da Cnen, em Goiânia, confirmaram o vazamento. Mas afirmaram que não há risco de contaminação do meio ambiente. O responsável pelo Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), coronel Mário Andreuzza, disse que uma evacuação da população de Angra está programada mas, como exercício, e somente no ano que vem.
Embora os responsáveis pela fiscalização neguem riscos de acidente, situações como esta podem provocar danos irreversíveis ao núcleo do reator e mesmo provocar uma nuvem radioativa, segundo explicou Pinguelli Rosa, professor de pós graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A vareta é o núcleo do reator, disse o professor. O perigo é tudo isso vir para fora, para o meio ambiente, como aconteceu em Chenorbyl, disse.
Esta não é a primeira vez que ocorrem problemas nas varetas de combustível de Angra I. Há quatro anos, trincas semelhantes foram localizadas na camisa das varetas, fabricadas com liga de zircônio (zircalloy) onde o urânio enriquecido a 3% e na forma de pastilhas (dióxido de urânio) se transforma em combustível para fazer girar o reator.


