Rio, 06 (AE) - No próximo dia 20 será realizado mais um teste na usina nuclear de Angra 2, com a operação de carregamento de seu reator. A experiência deve durar cinco ou seis dias e cerca de cem pessoas estarão envolvidas no processo. A previsão é que Angra 2, que tem 1.300 megawatts de potência, comece a funcionar parcialmente em março. A usina deverá estar funcionando com sua capacidade total em maio deste ano.
A parte de montagem já está completamente concluída. Toda a carga de combustível que será colocada no reator já está na usina. São 121 peças, chamadas de elementos, cada uma pesando 600 quilos. Os elementos são compostos de 256 varetas. Em cada uma há 350 pastilhas de urânio. As peças são alinhadas por uma máquina que depois as coloca no reator, cheio de água.
Segundo o superintendente de relações instituicionais da Eletronuclear, Luiz Soares, não será necessário montar nenhum esquema especial - como retirada de pessoas do local ou das redondezas. Ele ainda afirmou que dificilmente o equipamento apresentará falhas. "Nesta etapa final todos os sistemas já foram exaustivamente avaliados, portanto, é muito difícil que ocorra um problema", explicou.
Em fevereiro está previsto outro teste, o de "criticalidade do reator", quando o equipamento começa a gerar calor. O projeto é fazer com que Angra 2 passe a funcionar, a partir de março, com 1/3 de sua pontência. No mês seguinte, ela passaria a trabalhar com 60% de pontência. A partir de maio, deverá estar com 100% de sua capacidade. Atualmente, cerca de mil pessoas trabalham em Angra 2. Quando começar a funcionar, este número será reduzido para 450 profissionais. Os operadores já finalizaram o seus cursos em simuladores e estão prontos para assumir as suas funções.
Para os ecologistas, no entanto, Angra 2 continua oferecendo riscos. "Aquilo é uma ratoeira nuclear", afirmou o deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ). Segundo ele, há pontos pendentes como obras na Rio-Santos. A reestruturação da rodovia, que está em péssimo estado de conservação, é uma das dez exigências feitas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e encaminhadas à operadora da usina e que, de acordo com Minc, não foi atendida até agora. "Se chover forte, a estrada fica intransitável e pode comprometer a realização de um plano de evacuação caso haja um acidente nuclear", alertou Minc.