Curitiba - O futuro dos tratamentos para o coração e as novas tecnologias para a realização de intervenções cardíacas foram alguns dos principais temas do 9º Cardiointerv - Simpósio Internacional de Cardiologia Invasiva para Clínicos, realizada na semana passada, em Curitiba. Médicos de diversas partes do Brasil e de outros países debateram as novidades da ciência no tratamento de doenças do coração. Algumas delas já são realizadas com sucesso em muitas mesas de cirurgia pelo mundo.
Um dos temas abordados foi a utilização do método cirúrgico angioplastia para desentupimento de tronco da coronária esquerda. Esse procedimento, ainda polêmico entre os médicos, tem apresentado resultados positivos. Um estudo realizado em Curitiba comprovou que dos 80 pacientes analisados, 97% deixaram o hospital sem complicações após o método. Até então o indicado para a coronária esquerda era a realização de cirurgia cardiológica e a taxa de mortalidade era grande. A angioplastia diminui o risco de infecções já que o paciente não passa por uma cirurgia.
Quando é necessário desobstruir até três artérias, muitos médicos preferem indicar a angioplastia, por ser menos invasiva. Outros profissionais optam pela cirurgia cardiológica, com a ponte de safena, que tira uma artéria da coxa para implantar no coração. Mas a diferença entre uma e outra pode ser medida pelo tempo de internamento de cada paciente. Se na cirurgia a pessoa pode ficar até 10 dias no hospital, na angioplastia ela vai para casa em apenas três dias.
Porém, alguns pacientes que passaram por uma angioplastia voltaram a ter problemas pois a mola, ao ser aberta, pressionava as paredes da artéria e causava lesões, como inflamações, ou até a volta do entupimento. A novidade é que agora existem stents com remédios, como antiinflamatórios, que atuam durante 30 dias, período mais crítico em que a lesão pode causar problemas. O medicamento também auxilia na cicatrização.
''Nos casos de inclusão do stent sem medicamento, aproximadamente 25% dos pacientes voltavam a ter as artérias entupidas depois de seis meses. Com os novos métodos este número caiu. Entre 1% e 8% voltam a ter problemas nas artérias'', explica o médico cardiologista Costantino Ortiz Costantini.
Um tratamento ainda mais moderno foi apresentado durante o simpósio. Nele, a artéria é curada apenas com o balão, que injeta medicamento diretamente na região entupida, sem a necessidade da inclusão do stent. O procedimento é recente e contraria o que recomendam as diretrizes internacionais neste tipo de lesão. Mesmo assim, dos 80 pacientes estudados em Curitiba, 97% deixaram o hospital sem complicações.
No início do procedimento quem optar pela angioplastia pode até gastar um pouco mais. Porém, depois de concluído todo o período de trabalho ela pode ser até mais barata que a cirurgia cardíaca. ''O menor tempo de internação e de gasto com o resto do tratamento pode tornar o procedimento mais barato'', explica Costantini. Muitos planos de saúde ainda não cobrem esta nova prática.

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