São Paulo, 01 (AE) - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, afirmou que as indústrias não querem manter trabalhadores ociosos, principalmente a partir de janeiro. Ele calcula que em 2000 a produção de veículos deverá atingir no mínimo 1,5 milhão de unidades, apenas 100 mil a mais do que o volume previsto para este ano.
"Nós vamos fazer o que é necessário e o sindicato vai fazer o que achar necessário", disse hoje, respondendo a uma afirmação do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. Na quinta-feira, o sindicalista disse que não aceitará demissões após novembro, quando vence o prazo de estabilidade para os trabalhadores previsto no acordo de emergência.
Para Pinheiro Neto, "quem dá garantia de emprego é o mercado". Vários cortes no setor já estão previstos para ocorrer. A Volkswagen, por exemplo, vai dispensar mil trabalhadores até o fim do ano. O corte faz parte de um acordo feito com o sindicato e envolverá aposentados e voluntários.
Na Ford, outros mil funcionários que estão em lay-off - dispensa temporária que vence em outubro - não têm garantias de retorno ao trabalho. A General Motors, por sua vez, anunciou a redução da produção neste mês. Pinheiro Neto afirmou, contudo, que o setor mantém a previsão de produzir entre 1,35 milhão e 1 4 milhão de veículos neste ano (até setembro foram 1,018 milhão).
Ele informou que, durante a vigência do acordo de emergência, entre março e setembro, foram produzidos 853 mil veículos, volume que teria sido 20% inferior sem o acordo.

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