Anfavea entrega a Tápias estudo sobre renovação da frota
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 26 (AE) - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, entregou hoje ao ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, um relatório com argumentos em defesa da adoção de um programa de renovação de frota no Brasil. O relatório contém conclusões de um estudo feito pela Anfavea, que aponta o impacto financeiro, ambiental e em termos de segurança que a renovação da frota causaria. De acordo com Pinheiro, "o ministro adotou a idéia", informação confirmada pela Assessoria de Impresna de Tápias, mas o programa ainda terá de passar pelo crivo do Ministério da Fazenda.
De acordo com Pinheiro, o bônus inicial entregue aos consumidores que aderissem ao programa seria de R$ 1.800,00, mas esse valor ainda poderá ser aumentado pela montadoras. Esse crédito seria rateado da seguinte maneira: R$ 600 seriam rateados entre montadoras e concessionários, R$ 500,00 seriam descontados do ICMS nos Estados e R$ 700,00 seria a parte que o governo federal abdicaria na arrecadação de impostos federais, principalmente do IPI.
Apenas o Estado de São Paulo confirmou, porém, que arcaria com a renúncia fiscal de R$ 500,00. No caso dos demais Estados, segundo Pinheiro, a proposta deverá ser levada ao Conselho de Asminisração Fazendária (Confaz). "Provavelmente os Estados serão livres para aderirem ou não ao programa", disse Pinheiro.
O programa contemplaria os carros com idade acima de 15 anos, no primeiro ano, e acima de 10 anos, depois de doze meses. De acordo com Pinheiro, no Brasil há 10 milhões de carros com esse tempo de uso, o que equivale a 45% da frota. O presidente da Anfavea afirmou que as montadoras também arcariam com os custos da reciclagem dos veículos velhos. "Já estamos celebrando contrato com a Belgo Mineira, a Barra Mansa e o grupo Gerdau", disse Pinheiro.
A utilização do bônus para a compra de outro carro usado ou apenas para carros novos não foi definida. Segundo Pinheiro, tanto a Anfavea como o Tápias concordam com a extensão do programa para carros usados. O prazo para a troca do bônus pelo novo veículo seria de 90 dias. "Não queremos eternizar essa carta de crédito no mercado", justificou.
De acordo com o estudo da Anfavea, o programa causaria um incremento de 142 mil veículos novos no primeiro ano, caso sejam mantidas as atuais taxas de juros. O relatório afirma ainda que esses carros são responsáveis por 77% da emissão de monóxido de carbono na atmosfera, o que causa um prejuízo em função dos gastos com o meio ambiente, de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o estudo garante que os carros com mais de dez anos são responsáveis por 60% dos acidentes de trânsito.
De acordo com Pinheiro, no ano passado o setor acumulou um prejuízo de R$ 3 bilhões e vendeu 220 mil veículos a menos do que em 1998, uma queda de 20% nas vendas. Apesar de a estimativa de venda do programa não recuperar o prejuízo, ele disse ser "preciso começar a fazer alguma coisa para não continuar a queda". O setor exportou R$ 3,5 bilhões em 1999 e espera vender R$ 4 bilhões este ano para outros mercados.


