Anfavea discute regime comum com governo argentino
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domingo, 19 de março de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 20 - O presidente da Anfavea, Francisco Pinheiro Neto, esteve reunido em Buenos Aires com a Secretária de Indústria e Comércio da Argentina, Debora Giorgi para analisar as negociações sobre o regime comum automotivo.
Pinheiro Neto informou Giorgi da posição dos empresários brasileiros e expressou seu interesse em que se chegue a um acordo o mais rápido possível.
Fontes empresariais sustentaram em Buenos Aires que o presidente da Anfavea afirmou que o acordo possibilitará maiores investimentos na região, que estão pendentes da assinatura do regime. Desde 1996 até o fim deste ano, terão sido investidos US$ 26 bilhões no setor nos dois países.
Nesta semana, os governos dos dois países retomarão as negociações pendentes sobre o regime automotivo.
Entre os vários pontos que separam o Brasil da Argentina estão a definição da duração do acordo: os brasileiros querem que o regime seja aplicado até 2003, e que a partir do 2004 vigore o livre comércio.
Os argentinos pedem que o regime dure pelo menos sete anos. Seu argumento é que esse é o tempo necessário para que a indústria local se adapte às mudanças.
Outra divergência é o conteúdo local, ou seja, a proporção de peças fabricadas no país que farão parte dos veículos. Os argentinos pedem uma proporção mínima de 30% de conteúdo local, valor considerado "demasiado alto" pelos brasileiros.
Além disso, também está pendente uma solução sobre a banda de flexibilidade entre os dois países. No momento, não existe uma banda: o comércio automotivo entre os dois países consiste no "um por um". Ou seja, por cada carro que o Brasil exporta para a Argentina, importa um, e vice-versa do lado argentino.
Com a banda, acaba esta situação de rigidez absoluta, e de forma ordenada se flexibiliza o mercado: admitindo a maior dimensão da indústria brasileira, a proposta argentina é que o Brasil possa exportar para a Argentina 20% a mais do que a Argentina exporta para o Brasil. Ou seja, a Argentina aceita vender um carro ao mercado brasileiro por cada 1,2 automóvel que o Brasil lhe venda.
No entanto, segundo as fontes, o Brasil quer uma banda de flexibilidade maior, de 30%. Ou seja, vender 1,3 carros para a Argentina por cada uma unidade que importe desse país. As fontes brasileiras sustentaram que a secretária Giorgi observou "atentamente" os pontos expostos pela Anfavea.
Para tentar chegar a um acordo, negociadores dos governos dos dois países se reunirão a partir desta quarta-feira em Buenos Aires.
Além do regime automotivo, também serão discutidos os conflitos comerciais envolvendo os frangos, suínos, têxteis, arroz e lácteos. Representando o Brasil estará o negociador especial para o Mercosul, José de Botafogo Gonçalves.


