Curitiba, 26 (AE) - A vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e diretora de Assuntos Governamentais da Volkswagen do Brasil, Elizabeth de Carvalhaes, disse hoje que a prorrogação do regime automotivo da Argentina é uma "solução aceitável" para reequilibrar as relações comerciais entre os países do Mercosul. "A Anfavea também é de opinião que se deve estender esse regime para todo o Mercosul", afirmou. A transição iria até 2003.
"O Brasil é o grande comprador e ele tomou medidas que tiveram reflexo direto nos vendedores, principalmente a Argentina", analisou Elizabeth. Segundo ela, a solução tem que ser apresentada pela Argentina, porque o Brasil promoveu a desvalorização cambial com o objetivo de manter-se no mercado aberto e se relacionar com o mundo.
"É importante abrir o mercado", afirmou. "Já trabalhamos durante oito ou nove anos com balança fechada em um para um, o que é artificialismo e pecado imenso em um bloco econômico." De acordo com a proposta apresentada pela vice-presidente da Anfavea no seminário "Pólo Automotivo do Paraná", que se realizou hoje em Curitiba, durante o período de transição o imposto de importação de automóveis ficaria em 35%. Nesse período, a taxa de produtos nacionais para a fabricação dos veículos deveria ser de 60%. O mercado se tornaria livre a partir de 2004.
Segundo Elizabeth, a Anfavea espera recuperação do crescimento econômico a partir do terceiro trimestre. Ela também prevê que o dólar seja mantido numa faixa entre R$ 1,60 e R$ 1 80, com declínio progressivo dos juros, que deve se manter em cerca de 25%. A perspectiva de inflação está em torno de 10%. A vice-presidente da Anfavea diz que o setor automobilístico é "hábil" em negociar acordos para aumentar as vendas.
O presidente da Audi do Brasil, Nikolaus Feil, disse que a mudança cambial está levando a empresa a redimensionar as possibilidades de exportação e de nacionalização dos veículos fabricados em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Hoje, a nacionalização é de 60%, mas deve passar para 70% até o fim do ano e para até 80% no ano 2000. A Audi/Volks está fabricando 30 carros por dia, destinados ao mercado local. No segundo semestre, a produção deve ser ampliada para 200 carros por dia, com pelo menos 25% encaminhados para exportação.

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