Curitiba- Um atendimento mais humanizado entre anestesista e paciente pode amenizar o medo da anestesia geral nos procedimentos cirúrgicos. ''As pessoas têm medo do desconhecido, mas muita gente não sabe que a anestesia geral é mais segura do que as anestesias locais'', defende a médica Maria Aparecida Tanaka, presidente da Sociedade Paranaense de Anestesiologia e uma das organizadoras do 51º Congresso Brasileiro de Anestesiologia. O evento que reuniu em Curitiba mais de 2 mil profissionais para discutir os novos medicamentos e aparelhos que estão revolucionando a aplicação e o monitoramento da anestesia geral nos pacientes.
Para demonstrar as novas técnicas de monitoramento por exemplo, foi realizada no Hospital das Clínicas de Curitiba uma cirurgia demonstrativa de junção neuromuscular, na qual o paciente recebeu anestesia geral. Comandada pelo médico Rogério Reme, a cirurgia foi transmitida ao vivo para os congressistas. No congresso, os participantes também estão conhecendo drogas e aparelhos que estão sendo lançados no mercado, mas ainda têm um custo alto para ser utilizado no Brasil.
É o caso de um medicamento que substitui o sangue, para ser usado em casos específicos. ''Como aqueles em que o paciente é Testemunha de Jeová e não aceita transfusão'', exemplifica Maria Aparecida. O frasco do remédio chega a custar US$ 5 mil e ainda não está disponível nos hospitais nacionais. Outros medicamentos, no entanto, já fazem parte da rotina dos hospitais do Brasil e do Paraná.
Mesmo com um custo alto, cerca de R$ 3,5 mil a dose, um medicamento chamado dandrolene está disponível para os pacientes atendidos pelo sistema municipal de saúde de Curitiba através de um acordo entre a Sociedade Paranaense de Anestesiologia e a Secretaria Municipal de Saúde. O remédio é capaz de reverter o quadro de hipertemia maligna, síndrome que só se manifesta durante a anestesia e pode levar o paciente à morte.
Outra discussão presente no congresso, que foi tema de palestra ministrada pelo médico Manoel de Almeida Neto, é o relacionamento do anestesista e paciente. ''Todo paciente tem o direito de conhecer o anestesista e saber como é realizado o procedimento'', diz Maria Aparecida.
Para a presidente da Sociedade Paranaense de Anestesiologia, conhecer os procedimentos, os riscos e os benefícios pode fazer com que o paciente afaste o estigma de perigo da anestesia geral.

mockup