Anestesistas ameaçam com descredenciamento em massa
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Adriana Franco <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma assembleia extraordinária ocorrida na Sociedade Paranaense de Anestesiologia (SPA), no começo deste mês, deflagrou o início do desligamento dos anestesistas cooperados da Unimed, da cooperativa. De acordo com o presidente da SPA, Fábio Topolski, até esta semana já foram colhidas pelo menos a metade das assinaturas (de um total de 120) do termo de desligamento em Curitiba. ''O volume é satisfatório, já que estipulamos um prazo de 60 dias para obter as adesões desejadas'', comenta.
A principal exigência dos anestesistas é de também se sentirem proprietários daquilo que dizem ser deles: da cooperativa. ''A Unimed foi criada por um grupo de médicos e todos que aderiram a esse processo tornaram-se seus cooperados, mas com o tempo esse foco acabou se perdendo'', diz ao reclamar que a classe não recebe reajuste nos honorários médicos há quase dez anos.
Outra batalha é com relação à tecnologia. Topolski comenta que há alguns equipamentos e alguns medicamentos bem mais modernos do que os oferecidos pela Unimed aos pacientes nos processos operatório e pós-operatório. ''Nosso objetivo é oferecer melhores benefícios aos conveniados e proporcionar um melhor atendimento'', acrescenta.
O presidente da Unimed Curitiba, Sérgio Ioshii, prometeu voltar a pensar na hipótese de rever o aumento dos honorários médicos. A promessa foi feita no início desta semana, durante uma reunião marcada pela Comissão Estadual dos Honorários Médicos (CEHM), na Associação Médica do Paraná (AMP). Esse pode ser o início da retomada de diálogo com a cooperativa.
Durante a conversa, Ioshii afirmou que a questão do repasse da consulta ao médico, valor médio de R$ 42, é um desafio. Ele atribui a dificuldade ao fato de que são muitos médicos cooperados, um total próximo a quatro mil profissionais. O número de usuários é de 528.
Para o presidente da CEHM e da AMP, José Fernando Macedo, a conversa com Ioshii não foi muito satisfatória, porque nada foi resolvido. Ele conta que a Unimed argumentou que está implantando um novo sistema operacional de informática desde janeiro e que o prazo para terminar é em junho. A justificativa é de que, a partir disso, poderá ser feito um raio-x de todos os procedimentos em todos os hospitais e clínicas. ''Depois desse levantamento, eles prometeram sentar com a classe médica e discutir o que pode ser melhorado. Mas enquanto isso, vamos acumulando perdas'', comenta.
Sobre a postura da SPA, Macedo vê com ótimos olhos. ''Sem anestesista, não há como fazer nenhuma cirurgia, portanto, eles têm um poder grande de negociação.''


