Anemia renal compromete o coração
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de março de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Rio de Janeiro - Fadiga, falta de ar, palpitação, náusea, dor, indisposição, diminuição da concentração, inchaço e redução da capacidade de desenvolver atividades habituais. Esses são os sintomas da anemia renal, mal que pode acometer pacientes com doença renal crônica ainda nos estágios iniciais. Especialistas alertam que, além de comprometer gravemente a produtividade e a qualidade de vida do paciente, a anemia ainda aumenta a chance de problemas cardiovasculares e de acelerar o próprio processo de perda da função renal.
O mal é causado, segundo o nefrologista Hugo Abensur, professor da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), porque o rim, além de ter como funções filtrar e equilibrar o pH do sangue, e eliminar excesso de líquido do organismo, ainda é responsável por produzir hormônios - entre eles um, chamado eritropoietina, que aumenta o número de glóbulos vermelhos no sangue. E a anemia é definida justamente pela deficiência desses glóbulos, o que reduz a capacidade de transporte de oxigênio para os tecidos.
A baixa oxigenação, por sua vez, tem efeito no coração, alerta a gerente médica da indústria farmacêutica Roche, Anita Silva: ''Esses pacientes podem desenvolver problemas cardiovasculares, como o aumento do tamanho do coração, já que o órgão acelera seus batimentos em uma tentativa de compensar a baixa oxigenação de alguns tecidos do corpo''.
Mas, outro problema, segundo Abensur, é que a própria anemia pode acelerar o processo de perda da função renal. ''E, nos casos mais críticos, levar até à falência cardíaca''.
A doença renal crônica, explica o nefrologista Abensur, é classificada por estágios. O mais grave deles quando o funcionamento do rim chega a menos que 15% da sua capacidade. Nessa fase é necessária terapia para substituição das tarefas do rim, seja por meio de diálise ou transplante. Nessa fase de falência renal, os rins já não produzem a eritropoietina, que precisa ser suprida através de medicamentos.
Para cuidar do rim, a prevenção ainda é o melhor remédio. Exames simples e baratos, como a dosagem de creatinina no sangue e de proteína na urina, mostram qualquer alteração no órgão. Como as principais causas de perda de função do rim são o diabetes e a hipertensão arterial, também é preciso cuidar dessas doenças. O diabetes atinge o rim porque a doença lesiona os néfrons, espécie de filtro presente no órgão. E a hipertensão porque provoca a morte desses filtros pelo estreitamento dos vasos sanguíneos, praticamente impedindo a chegada de sangue.
Projeções da Sociedade Brasileira de Nefrologia mostram que uma em cada sete pessoas tem algum grau de doença renal crônica e que até 2010 o número de especialistas terá que dobrar para atender a população.
* A jornalista viajou ao Rio de Janeiro à convite da Roche


