Uma técnica eficaz e pouco invasiva tem ajudado pacientes com ceratocone, uma doença na córnea, a corrigir a visão. Trata-se do implante do Anel de Ferrara, opção para quem não se adapta às lentes de contato duras, e que evita, em grande parte dos casos, o transplante de córnea.
No início do mês, a oftalmologista Cinara Sakuma de Oliveira, docente da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e médica do Hospital dos Olhos do Paraná, apresentou uma nova adaptação ao anel, que facilita sua implantação. A apresentação ocorreu em Londrina durante o 4º Congresso dos Centros de Ensino de Oftalmologia do Paraná.
Segundo a oftalmologista, a ceratocone é uma doença, de origem principalmente genética, que afeta a curvatura da córnea, deixando-a no formato de um cone. Isso deixa a imagem distorcida, como se a pessoa enxergasse através de um espelho deformado. Ela explica que é como um grau de astigmatismo, só que irregular, e difícil de se corrigir com óculos.
A doença, que tem incidência de uma para cada 2 mil pessoas, aparece no indivíduo ainda jovem, e progride com o passar do tempo, piorando a visão cada vez mais. ''É com a puberdade que a doença normalmente aparece, por volta dos 12, 13, 14 anos'', ressalta. A deformidade varia do grau 1 ao 4, mas a evolução da doença não é igual para todo mundo. ''Algumas pessoas tem uma progressão mais rápida, e isso assusta. Algumas têm medo de ficar cegas'', afirma.
O perigo de perder a visão não existe, mas é preciso corrigir a distorção para que ela não chegue a um ponto que impossibilite as atividades do dia-dia. A forma mais simples é com o uso de lentes de contato duras, que, pela rigidez, não se adaptam à córnea e corrigem o problema. Porém, segundo a especialista, 30% das pessoas não conseguem se adaptar a esse tipo de lente, e a única opção até a invenção do Anel de Ferrara era o transplante.
Mas o grande problema do transplante, além de ser uma cirurgia de grande porte, que envolve riscos de rejeição e infecção, é a fila de espera. Em Curitiba, segundo a médica, o tempo de espera é de cerca de um ano e meio. Em Londrina, segundo informações da Central de Transplantes da 17 Regional de Saúde, a espera é menor, de seis a sete meses.
Já o implante do Anel de Ferrara implica em um procedimento mais simples, com menos risco de infecção. ''E o pós-operatório é muito mais tranquilo que no transplante, o paciente pode fazer a cirurgia em uma sexta-feira e fica só um final de semana em casa'', explica.
A médica ressalta que o Anel de Ferrara não pode ser usado em todos os casos, mas naqueles em que o paciente não se adapta a lente dura, e que a córnea não está comprometida o suficiente para justificar um transplante. A implantação do Anel de Ferrara tem uma taxa de 70% de êxito e é um procedimento reversível. Apesar das vantagens, ele tem um custo alto e ainda não tem cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) ou de convênios. ''Esse é uma fator limitante'', pondera a médica. Mas a expectativa, com o avanço da técnica, é diminuir a fila do implante, já que a maior parte dela é formada por pacientes com ceratocone.

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