Anef prevê aumento no financiamento para veículos
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 04 (AE) - O aumento de preços nos carros, a partir de setembro, deverá levar o consumidor a financiar mais. A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) estima que o financiamento, que representou 20% das vendas de carros no primeiro semestre, chegará a 24% até o final do ano. O número de consumidores que fizeram financiamento ou leasing cresceu 1,3% de janeiro a junho em relação ao mesmo período de 1998, mas a carteira dos bancos das montadoras encolheu 16,9%. Estas instituições fecharam o semestre com 1 milhão de clientes e R$ 7,4 bilhões em carteira.
Os resultados do ano demonstram que o consumidor está mais cauteloso em relação a dívidas com compra de carro. No ano passado, os negócios à vista representaram 39%, enquanto que CDC mais leasing somaram 38%. Em 1998, as vendas por meio de consórcios totalizaram 24%. No primeiro semestre deste ano, a participação de CDC e leasing alcançou 20%, a venda à vista chegou a 55% e os consórcios ficaram com 25%.
Os juros médios dos planos de financiamento de carros deverão permanecer inalterados nos próximos meses, mesmo que o Banco Central reduza a taxa básica, segundo previsão do presidente da Anef, Marcos Vinicius Moya. "A Tban reflete nos negócios de curto prazo, enquanto que o financiamento para carros se baseia em outra realidade, influenciada pelos riscos de longo prazo", disse Moya. "E hoje a expectativa em torno da política econômica da Argentina está se refletindo no funding dos bancos", completou.
Os bancos de montadoras, representados pela Anef, estão trabalhando já há três meses com taxa média de 2,6% ao mês. (A taxa básica do Banco Central está em 1,5%). Mas, há um mês, os bancos das montadoras lançaram taxas promocionais de 0,98%. Segundo Moya, o índice será mantido nos próximos meses e isso fará com que as instituições ligadas às montadoras aumentem sua participação no mercado, que já é de 41%.
"Não há banco independente que consiga chegar a esse índice", destacou. A taxa promocional é subsidiada numa ação conjunta entre fabricantes de veículos, seus bancos e concessionários. A variação depende do posicionamento de cada modelo de carro no mercado.
Menos recursos - Os bancos de montadoras vão disponibilizar, este ano, volume de recursos 33% menor do que o previsto. Segundo o presidente da Anef, o total não deverá passar de R$ 3 bilhões. Projeções feitas no final do ano passado indicavam necessidade de quase R$ 4,5 bilhões. Isto se deve, sobretudo, à queda na média do valor financiado para a compra de carros.
O valor médio financiado por cliente caiu de R$ 9,1 mil, no primeiro semestre de 1998, para R$ 7,4 mil, no mesmo período deste ano. Os prazos de financiamentos também estão menores: a média caiu de 28 meses, no ano passado, para 22, no acumulado de 1.999. Consórcio - A venda de carros por consórcio cresceu 34 9% no acumulado do ano em relação ao mesmo período de 98, num total de 78,4 mil cotas. Os consórcios de motos apresentaram crescimento, no acumulado deste ano, de 40,8%. Isto se deve às baixas prestações. A prestação de consórcio de uma moto gira em torno de R$ 80.
O baixo índice de inadimplência acumulado este ano - 4 8% - está surpreendendo os executivos dos bancos de montadoras. Por outro lado, 13 mil carros foram tomados, este ano, pelos bancos das montadoras dos clientes que não honraram com as prestações de financiamento. O volume representa 1,2% da carteira destas instituições.
Também é positiva a quantidade de consumidores que atrelaram o financiamento de carros à variação cambial e estão em dia com as prestações. Hoje, 91,6% da carteira de planos com variações em dólar estão com prestações em dia. Segundo Moya, isso se deve aos acordos que os bancos fizeram com o Ministério da Justiça, que permitiu reduzir o dólar para R$ 1,23 e aumentou o prazo para quitação da dívida. Passam ainda por discussão judicial 3.010 casos de financiamentos atrelados à variação da moeda estrangeira. São consumidores que estão depositando as prestações em juízo.
Leasing - O leasing financeiro, modalidade criada pelo mercado automotivo, deverá acabar se a Secretaria de Direito Econômico (SDE) não modificar o texto da portaria 3, editada recentemente, que disciplina como leasing apenas o sistema operacional, segundo previsão dos dirigentes dos bancos de montadoras. A participação do leasing financeiro, que chegou a 23%, em 1997, caiu para 7% no primeiro semestre deste ano.
O leasing operacional, que não é utilizado no Brasil, prevê a devolução do carro no final do contrato. Esse sistema, muito usado nos Estados Unidos, se dedica a um mercado em que o consumidor usa o veículo por determinado período e não quer comprá-lo. No Brasil, foi criado o leasing financeiro, que se constituiu numa forma de financiamento. Esta modalidade não prevê a devolução do veículo e garante prestações menores porque a incidência de IOF no leasing é menor do que no CDC.


