Andróides demonstram emoções reais
Em ''2001, Um Odisséia no Espaço'', de Stanley Kubrick, Hal 9000 fez o maior sucesso, destacando-se entre os demais personagens. Não, não se tratava de nenhum daqueles cobiçados galãs de Hollywood, mas, sim, de um supercomputador de personalidade forte, que mandava e desmandava na tripulação da espaçonave.
Em ''A.I. - Inteligência Artificial'', filme de Steven Spielberg, que já lota as salas dos cinemas brasileiros, o autômato David (Haley Joel Osment, também protagonista de ''Sexto Sentido'') comove por sua sensibilidade. O andróide, criado em laboratório pelo professor Hobby (William Hurt), é capaz de demonstrar emoções reais, como amor, carinho e afeto.
Pelo mesmo motivo, os mascotes virtuais criados pelos japoneses fizeram enorme sucesso entre crianças e adolescentes de diversas nacionalidades. Os tamagochis conquistaram milhares de fãs com reações semelhantes as dos bichinhos de carne e osso - sentiam fome, brincavam, dormiam e... morriam. Mais recentemente, a Tiger Eletronics apareceu na mídia prometendo a criação de um cãozinho-robô com ''alma''. Engenhocas eletrônicas e histórias de cinema à parte, o debate que se lança agora diz respeito às emoções. Pode o homem chegar a um requinte tecnológico tamanho capaz de reproduzir em máquinas sentimentos tipicamente humanos, fator básico que nos diferencia de animais e chips?
Laboratórios de inteligência artificial, como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, pesquisam há algum tempo esta possibilidade. Pensam num modelo robótico dotado de chips ''sensíveis'', ou seja, uma espécie de sensor com capacidade para detectar qualquer alteração emocional e maquinar alguma reação artificial própria. É a chamada ''interação humano-computacional''. Não só as emoções como também outras características tipicamente humanas são alvo de pesquisas em outros países como Inglaterra e Suíça.
Mas, claro, isso ainda não significaria a autonomia emocional do tal ser enlatado, a conexão apropriada e sincronizada entre ação e reação (emoção). O neurologista português António Damásio, pesquisador da Universidade de Iowa (EUA), afirma que ''mesmo se os computadores ficarem muito inteligentes, muito ricos em termos de memória e de capacidade para manipular fatos específicos, e mesmo se puderem se tornar 'conscientes', no sentido de poderem monitorar seus próprios estados, não vão desenvolver uma consciência que seja de algum modo semelhante a nossa''. ''Qualquer que seja a noção de si mesmo que o computador possa engendrar, ela não será comparável à noção humana de si mesmo'', argumenta Damásio.





