Dois frascos do medicamento Androcur, usado para câncer de próstata, que fazem parte de um lote falsificado foram recolhidos ontem pela Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu. Os frascos pertencem ao lote 351 e segundo o Laboratório Shering do Brasil, que produz o remédio, este lote ainda não teria sido fabricado.
Os frascos foram entregues à Vigilância Sanitária por um farmacêutico que suspeitou do medicamento e decidiu encaminhá-los para a Secretaria Municipal de Saúde juntamente com cópia da nota fiscal. O nome da farmácia não foi divulgado. O próprio fabricante do Androcur informou, em março, que o lote 351 do remédio é falso, pois não foi fabricado no seu laboratório.
Desde o ínicio do mês, 18 técnicos da Vigilância Sanitária de Foz estão fiscalizando a possível existência de medicamentos falsificados em farmácias da cidade. Cerca de 90 farmácias da área central e dos bairros Morumbi, Jardim das Bandeiras e Portal da Foz já foram inspecionadas.
Medicamentos como o Androcur, Microvlar, Viagra, Moduretic, Aldomet, Decadron, Sorine Infantil, Carnabol, Nordette entre outros, estão sendo inspecionados.
O coordenador do Setor de Serviços e Produtos da Vigilância Sanitária, Antonio Vicente Duarte, disse ontem que os dois frascos de Androcur encontrados em Foz ainda não podem ser considerados como um ‘‘fator agravante’’ mediante a quantidade de medicamentos falsificados encontrados em todo o País. ‘‘Dificilmente frascos do lote falso foram adquiridos por pacientes de Foz. Este medicamento que foi recolhido é de custo alto. Isso significa que as farmácias não estocam o produto. Elas compram em pequenas quantidades, cerca de dois ou três no máximo’’, disse.
Os frascos de Androcur recolhidos são praticamente idênticos aos frascos originais. Eles apresentam bula em material de boa qualidade, no comprimido consta a impressão da marca do laboratório fabricante e a caixa é igual ao verdadeiro. A diferença é apenas o número do lote que ainda não foi fabricado. A Vigilância Sanitária de Foz está alertando aos usuários dos remédios que estão sob suspeita para que, em caso de dúvidas, entrem em contato com o órgão pelo telefone 574-5062 ou 523-6880.
Duarte também afirmou que os medicamentos comercializados em Ciudad del Este, no Paraguai, merecem atenção especial ao serem adquiridos. ‘‘Esses medicamentos preocupam mais pela falta de controle do que pela possibilidade de falsificação. O problema é que medicamentos controlados aqui no Brasil e que não são controlados no Paraguai acabam entrando pela fronteira e se disseminando por todos os estados brasileiros’’, frisa.
A família do cobrador de ônibus Jonas Agenor Gomes do Nascimento, que morreu em março, aos 58 anos, denunciou ontem em Belo Horizonte a possibilidade de ele ter sido mais uma vítima da falsificação do medicamento Androcur. Só agora a família descobriu que, entre os vidros do remédio consumido por Nascimento, pelo menos quatro deles pertenciam ao lote 351 que, por ser falso, era inócuo. O medicamento teria sido comprado na Drogaria Dinâmica, interditada pela Polícia Federal (PF). Outros três casos de homens que morreram depois de consumir remédios do mesmo lote do Androcur estão sendo investigados pela Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais.

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