André Capeta morre com tiro na cabeça
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terça-feira, 13 de agosto de 2002
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - O traficante André da Cruz Barbosa, o André Capeta, de 21 anos, um dos indiciados pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, morreu na madrugada de ontem com um tiro na cabeça na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio. As circunstâncias ainda não foram esclarecidas, mas a polícia defende a hipótese de suicídio. Os comparsas de Capeta chegaram a obrigar um bombeiro a levá-lo numa ambulância para um hospital. Ele foi o segundo bandido acusado da morte do repórter morto em cinco dias.
O cabo bombeiro Luís Gustavo Rangel Euzébio, que é vizinho da mãe de André Capeta, Nivalda da Cruz Barbosa, na Vila Cruzeiro, contou que foi chamado em casa por um grupo de traficantes armados que o fizeram pedir uma ambulância para socorrer o bandido, que teria atirado contra a própria cabeça. Ele então ligou para o quartel de Ramos, que mandou um carro com uma equipe médica para a favela.
Os bandidos, que seguiram o veículo, lhe disseram para tentar registrar Capeta com o nome de João Roberto dos Santos. O bombeiro percorreu pelo menos cinco clínicas particulares da região, a mando dos criminosos, mas, como nenhuma delas aceitou tratá-lo, alegando não ter neurocirurgiões, ele foi levado para o Hospital Getúlio Vargas. A Corregedoria do Corpo de Bombeiros abriu um inquérito para apurar a versão do cabo, que também foi ouvido na 22 Delegacia Policial (Penha). Ele pode responder por falsidade ideológica de terceiros e favorecimento pessoal.
Pelo inquérito policial que apura a execução de Tim Lopes, André Capeta capturou o repórter na Vila Cruzeiro e depois cortou suas pernas, em 2 de junho. Ele teria também mandado outros bandidos comprar o combustível para queimar o corpo do jornalista. Na última sexta-feira, Maurício de Lima Matias, o Boizinho, outro acusado do crime, foi morto por policiais em Vigário Geral, zona norte. Ainda estão em liberdade Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e Renato de Souza Paulo, o Ratinho. Cinco indiciados estão presos.
Hipóteses - Segundo o chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, há vários indícios de que André Capeta se matou. ''O disparo foi feito debaixo para cima e com o cano encostado. Além disso, se ele tivesse sido morto por traficante, não teria sido socorrido. E, se fosse um policial, teria havido protesto na favela'', disse Teixeira, ao mostrar o laudo cadavérico feito pelo Instituto Médico-Legal (IML).
Ainda será feito um exame para detectar restos de pólvora nas mãos dele. O chefe de polícia disse que Capeta era amigo de Boizinho há muitos anos e teria ficado deprimido com sua morte. ''Tínhamos informações de que vinha se drogando o dia inteiro e isso pode ter feito ele cometer o suicídio. A polícia vem fazendo muita pressão em cima desses bandidos.''
De manhã, antes da divulgação do laudo, a polícia informara que também seria investigada a versão de que Capeta foi baleado num ponto de ônibus próximo à entrada da Vila Cruzeiro, além da hipótese de o tiro ter partido de um PM. O comandante do 16º Batalhão da PM (Olaria), Ronaldo Menezes, disse que houve operação no morro na noite de segunda-feira, com rápido tiroteio entre policiais e bandidos, mas sem vítimas.
Pastor - PMs prenderam ontem o falso pastor José Djalma Pinto, de 47 anos, líder comunitário da favela Carobinha, em Campo Grande, zona oeste, suspeito de ligações com o tráfico. Djalma, que se diz pastor da Assembléia de Deus, é acusado com Paulo César Martins, de ter espancado uma menor de 12 anos, porque a menina foi a um baile funk em favela dominada por uma facção criminosa rival. Além de quebrar o braço direito e atirado contra a jovem, os traficantes expulsaram a família da menina, que saiu da Carobinha sob ameaça de morte.
(Colaborou Katia Luane)


