Andradina lidera casos de tuberculose na Alta Noroeste
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Antonio José do Carmo 
Andradina, SP, 24 (AE) - Em 41 municípios da Alta Noroeste, Andradina, a 670 quilômetros da Capital, lidera o número de casos de tuberculose com 55 pessoas diagnosticadas positivamente no ano passado. Quantidade maior que Araçatuba, com 51 casos, mas com uma população de 180 mil habitantes, três vezes maior que a de Andradina.
Um dos motivos, segundo a enfermeira Cássia Maria Miguel responsável pelo setor de tuberculose do Centro de Saúde é a recusa dos pacientes a aceitar o tratamento. Segundo ela há um grupo de alcoólatras que se recusa a tomar os remédios. Os medicamentos quando misturados com bebida alcoólica causam desconforto aos usuários e por isso alguns preferem abandonar o tratamento que demora seis meses.
Muitos deles perambulam pela cidade se reunindo em praças e jardins, onde passam o dia consumindo aguardente e se alimentando muito mal. O Departamento Municipal de Andradina já denunciou vários doentes ao Ministério Público. Na opinião da enfermeria Maria Miguel, negando o tratamento, os pacientes estão colocando em risco a segurança de mulher, filhos e outras pessoas com quem se relacionam diariamente e essa irresponsabilidade segundo ela deve ter punição em nível criminal.
A enfermeira afirma ainda que os índices de tuberculose na cidade também aumentam em relação ao nível social e econômico das famílias. Ela diz que Andradina foi a cidade que enfrentou os maiores problemas de desemprego nos últimos três anos quando, consequentemente, as famílias passaram a ter uma alimentação pior. Maria Miguel declara que o bacilo de Koch que provoca a tuberculose tem desenvolvimento garantido em organismos subnutridos.
OMS - A coordenadora do Programa Estadual de Tuberculose
Regina Célia Calçada de Castro disse que a Organização Mundial de Saúde recomenda que para manter a doença sob controle é necessário que se obtenha um índice de tratamento com recuperação de 95% dos pacientes. Nos municípios da Alta Noroeste, a média de recuperação está bem abaixo disso, 74,4%. Em alguns municípios como Penápolis e Ilha Solteira, os índices estão abaixo dos 50%.
No ano de 1998, segundo Castro, foram registrados 80 mil novos casos de tuberculose no Brasil dos quais 18 mil só em São Paulo. Os 1.664 bônus de tratamento liberados para o Estado foram considerados insuficientes pela coordenadora, embora a falta de verbas ainda não seja o maior problema para combate da doença. Preconceito e abandono do tratamento são apontados como principal responsável pelos altos índices de infecção.


