Brasília, 10 (AE) - Aconselhado por seus advogados, o ex-controlador do Banco Bamerindus, José Eduardo de Andrade Vieira, não revelou o nome de dois diretores e um assessor do Banco Central que, segundo ele, teriam dado informações à imprensa sobre a dificuldade enfrentada pelo Banco Bamerindus antes da sua intervenção. Logo após o fim do depoimento de mais de 5 horas à CPI dos Bancos, à 0h35 (10), o senador reuniu-se reservadamente com o relator da comissão, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), mas preferiu revelar apenas o nome de alguns jornalistas que teriam recebido informações em "off" destes dois diretores e do assessor do BC sobre o banco. Andrade Vieira havia se comprometido a dizer os nomes depois de contar à CPI que recebeu informações de jornalistas e donos de jornais amigos seus de que estas três pessoas estavam dando estas informações à imprensa. Ele disse que os boatos no mercado financeiro que agravaram ainda mais a situação do Bamerindus "saíram de dentro do Banco Central". No final do depoimento, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Roberto Requião (PMDB-PR) apresentaram requerimento para que a comissão solicite ao Banco Central o contrato de venda do Bamerindus ao HSBC e todos os termos aditivos que foram feitos até agora após a operação. O requerimento pede ainda que o BC informe à CPI o nome do vendedor dos títulos brasileiros no exterior (Brady bonds) que foram comprados pelo Bamerindus, segundo Andrade Vieira, um dia após sua intervenção pelo interventor Luiz Carlos Alvarez, atual diretor de Fiscalização do BC. Andrade Vieira acusou de irregular a operação de compra destes títulos por Alvarez e disse à CPI que suspeitava que os bonds eram do próprio HSBC, que viria a comprar o Bamerindus pouco depois. O requerimento solicita ainda os dados sobre a venda de cada um dos itens do patrimônio do banco e o nome dos seus compradores. por Adriana Fernandes

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