Andrade Vieira depõe na quarta na CPI dos Bancos
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 07 (AE) - A CPI do Sistema Financeiro inicia esta semana uma nova fase de investigações, ouvindo os primeiros depoimentos de responsáveis por bancos beneficiados pelo Proer (programa do governo criado para sanear o sistema financeiro). O primeiro a ser ouvido pela CPI, nesta quarta-feira, será o ex-presidente do Bamerindus, ex-senador e ex-ministro da Agricultura José Eduardo Andrade Vieira, que ainda hoje não esconde a mágoa do governo e acusa a equipe econômica de ter provocado a liquidação de seu banco.
O autor da proposta que criou a CPI e presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), reforçou hoje sua postura de "independência" com relação ao governo e voltou a criticar o desempenho do Banco Central na fiscalização do sistema financeiro. Indagado sobre o constrangimento que o depoimento de Andrade Vieira poderia trazer ao governo, Jader lavou as mãos. "CPI não é a favor ou contra, CPI apura fatos e se os fatos causam algum mal estar ao governo, paciência", disse o senador.
"O objetivo fundamental da CPI é a investigação e se ela for deixar de apurar um fato determinado porque vai criar constrangimento, melhor não ter CPI", continuou ele.
Segundo o senador Jader, a escolha de Andrade Vieira para encabeçar a lista de depoentes sobre o Proer foi uma sugestão do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), autor do requerimento para convocar instituições beneficiadas pelo programa. Novamente o Banco Central foi criticado pelo peemedebista e responsabilizado pela falta de controle do sistema financeiro. "A promessa na criação do Proer era a estabilização do sistema financeiro", cobrou ele. "Por que, depois de três anos e de R$ 20 bilhões injetados no programa, o sistema continua frágil e instituições financeiras continuam quebrando sem o Banco Central se dar conta dessa fragilidade?", indagou ele.
Enquanto cobrava do BC o envio do relatório sobre o Proer, solicitado pela CPI do Sistema Financeiro há cerca de 20 dias, o senador Jader Barbalho também acusava a instituição de não manter um controle assíduo e uma fiscalização eficiente sobre o mercado financeiro. O senador dava crédito à denúncia feita na CPI pelo procurador de Cascavel, Celso Antônio Três, de extraordinárias remessas de recursos ao exterior por empresas, por meio das contas CC-5, que passaram a ser alvos de investigação. "Como uma factoring de capital de R$ 10 mil remete R$ 1 bilhão ao exterior, como informou o procurador, e o Banco Central não faz a fiscalização dessa operação?"
Jader Barbalho disse que será inevitável a presença do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, ou mesmo do ministro da Fazenda, Pedro Malan, à CPI para falar sobre as mudanças necessárias no sistema financeiro e no papel do BC. Mas descartou a necessidade da presença de Malan agora, para explicar a declaração de Andrade Vieira à revista "IstoÉ" de que seu irmão, o economista Marcos Malan, teria lhe oferecido seus serviços para evitar a liquidação do Bamerindus. "Quem tem de dar essa explicação é o ex-senador", resumiu Jader.
Judiciário - Mesmo defendendo sobretudo a investigação de denúncias, o presidente do PMDB mais uma vez saiu em defesa de seu correligionário, o senador Luiz Estevão (PMDB-DF), envolvido em denúncias apuradas pela CPI do Judiciário. Jader disse que o PMDB não vai entrar "numa nova CPI do Orçamento, quando peemedebistas foram condenados enquanto os outros partidos protegeram seus parlamentares".
Estevão pode ser chamado a depor na CPI do Judiciário para explicar sua relação com o ex-presidente do TRT paulista, Nicolau dos Santos Neto, e com o empresário Fábio Monteiro de Barros, dono da empreiteira Incal responsável pela obra superfaturada e inacabada daquele tribunal.
O senador é acusado de intervir em favor da obra do TRT na aprovação de emenda ao Orçamento da União. "Se é para investigar alguém que nem era congressista na época em foi aprovada emenda então o PMDB vai exigir que se investigue todos aqueles que se interessaram pela alocação de recursos para a obra", ameaçou.


