Curitiba - Reitores das universidades federais dos estados da Região Sul estão reunidos em Curitiba para discutir propostas de melhoria do ensino superior público. As sugestões serão levadas ao grupo executivo do Ministério da Educação (MEC), que debate a reforma universitária a ser implantada ainda este ano. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi escolhida para ser anfitriã do primeiro de cinco seminários regionais que serão promovidos pela Associação dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O encontro termina hoje.
O tema escolhido para a primeira rodada de debates foi a ''Democratização do acesso e expansão''. A presidente da Andifes e reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Wrana Maria Panizzi, defendeu a necessidade das universidades públicas recuperarem a liderança na oferta de vagas. Para isso, precisam contar com orçamentos consistentes e uma revisão no plano de carreiras para se reestruturar em termos de recursos financeiros e humanos.
Wrana lembrou que, entre os anos de 1996 e 2001, as universidades federais brasileiras perderam 24% das verbas de custeio e 77% dos recursos para investimento. ''As universidades começam o ano sabendo que o dinheiro não vai dar'', declarou. Quanto aos recursos humanos, Wrana afirmou que, além da não reposição do quadro de professores que se aposentam, as universidades têm perdido bons profissionais técnicos para o mercado por causa dos baixos salários.
O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, concorda que o governo deva ampliar a destinação de recursos para o ensino superior, mas faz a ressalva de que é preciso rever os critérios de distribuição do orçamento. ''A divisão de recursos pelo MEC não diferencia as instituições de ensino superior que fazem a diferença'', destacou. Ele é a favor de que a distribuição dos recursos seja baseada no compromisso social das universidades com as comunidades onde estão inseridas.
Moreira Júnior disse que, mesmo com o enxugamento do orçamento, a UFPR conseguiu aumentar o número de vagas que, de 1999 para 2003, cresceu 21% nos cursos de graduação e 35% nas pós-graduações. Nesse mesmo período, a universidade perdeu entre 6% e 7% de seu corpo docente e 4% do quadro administrativo. O reitor deixou claro que a UFPR atingiu seu limite de contribuição para ampliar o acesso à universidade. Agora, depende de recursos técnicos e financeiros do governo federal.

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