Brasília, 09 (AE) - Os setores empresariais que se beneficiam da pesquisa e dos profissionais formados pelas universidades públicas deveriam contribuir financeiramente para um fundo de manutenção e expansão do ensino superior. A idéia é do presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Renato de Oliveira, e vai ser discutida no congresso anual da entidade, no fim do mês, em Fortaleza.
O fundo seria constituído a partir de uma taxa cobrada pelo governo sobre o lucro de empresas de determinados setores, como o petrolífero, o de informática e o da agricultura, entre outros. Segundo Oliveira, o desenvolvimento tecnológico das empresas que atuam nesses ramos está diretamente ligado ao conhecimento produzido nas universidades públicas do País, o que justificaria a cobrança.
"Temos de arrumar uma forma de financiamento público não necessariamente estatal", diz Oliveira, calculando que a taxação poderia contribuir em até 20% do custo do sistema federal, que consome, segundo ele, cerca de R$ 6 bilhões anuais do Ministério da Educação (MEC). "A China aumentou o número de vagas com um procedimento semelhante", informa.
Oliveira propõe a criação do fundo como um dos mecanismos para financiar as 52 instituições federais de ensino superior. A idéia ganha força, em sua opinião, diante da disposição do ministro Paulo Renato Souza de levar adiante o projeto de autonomia financeira das universidades federais nos próximos meses. "Não dá para falar em autonomia financeira sem tratar da diversificação das fontes de recursos", destaca. Um comitê com representantes do governo, das instituições e das empresas cuidaria da distribuição dos recursos. Encontro - Entre os dias 25 de fevereiro e 1.º de março, o Andes realiza o seu 18.º Congresso, em Fortaleza. No centro dos debates vai estar a questão da autonomia. A idéia é sair do encontro com uma proposta dos professores, para que, a seguir, seja apresentada à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e ao MEC.

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