Rio Claro, SP, 29 (AE) - O andarilho Laerte Patrocínio Orpinelli, negou ontem (28) ter sequestrado e assassinado Daniela Regina de Oliveira, que desapareceu no dia 11 de julho de 1997, em Rio Claro, interior de São Paulo. Orpinelli foi ouvido pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Pedro Ivo de Arruda Campos. A ossada de Daniela foi encontrada em dezembro de 97 no Horto Florestal. Em outras ocasiões, o andarilho chegou a confessar o assassinato de várias crianças à polícia.
Daniela é uma das seis crianças desaparecidas desde 1990 em Rio Claro. O caso da menina baseou o pedido de prisão preventiva do andarilho, decretada em fevereiro pela Justiça. Como Orpinelli demonstra estado mental confuso, o juiz determinou a suspensão temporária do processo para que o andarilho seja submetido a um exame de sanidade mental, em 20 dias.
Ao advogado Carlos Benedito Pereira da Silva, nomeado pela Justiça para defender o acusado na ação penal, Orpinelli disse que teria sofrido tortura e pressão psicológica durante as confissões feitas no 1º Distrito Policial de Rio Claro. O andarilho disse também que o informante Araldo Chagas, que não é policial civil mas atuou nas investigações, teria "colocado palavras em sua boca".
As denúncias de irregularidades nas investigações levaram ao afastamento da delegada do 1º Distrito Policial de Rio Claro, Sueli Isler Batelochi. No final de janeiro o caso foi assumido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de São Paulo. Além de dúvidas e contradições, o trabalho policial não obteve provas concretas que incriminassem o andarilho.