No início do ano, um levantamento importante e surpreendente foi apresentado no Guia Rodoviário 2002, elaborado pela Revista Quatro Rodas: ''O número de pedágios aumentou mais de 550% nas estradas brasileiras desde 1997'', anuncia o material de divulgação do guia. Eram, na época, 184 praças de pedágio. Em 1997, a malha rodoviária nacional tinha apenas 28 delas, segundo o levantamento.
Só no Paraná, de acordo com boletim informativo divulgado no primeiro semestre deste ano pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, são seis grupos privados administrando 2.335 quilômetros de rodovias concedidas e cobrando pedágios em 26 praças instaladas no circuito que o governo do Estado batizou de Anel de Integração. ''Mais obras, mais serviços, mais empregos. Mais segurança e conforto aos usuários. Todo o Paraná está ganhando.'' É o que está escrito na capa do boletim informativo.
A informação é verdadeira, desde que comparada a alguns trechos de rodovias federais e estaduais que cortam o Paraná e não oferecem o mínimo de conforto e segurança aos usuários. Mas gera contestação e cria polêmica se o parâmetro for o sistema de pedágio de países avançados, onde as concessionários arcam com a construção e a manutenção das rodovias, a um custo que vale a pena ser pago.
No Brasil, incluindo o sistema paranaense, os grupos privados receberam as rodovias já prontas. Trechos foram reparados e duplicados e toda a extensão concedida recebeu sinalização. Faz-se roçagem nas margens e existe um atendimento ao usuário nos casos de socorro. A duplicação não é constante e as faixas para veículos pesados (terceira faixa) inexiste em pontos fundamentais.
E o custo é elevado, a ponto de merecer promessas de campanha eleitoral dos candidatos que disputam o segundo turno, justamente para suceder o governo que trouxe o pedágio, seus benefícios, custos e inadequações contratuais ao Paraná.
Um carro de passeio, classificado como simples, passa por uma praça de pedágio pagando no mínimo R$ 2,90. O custo varia de acordo com a quilômetragem, chegando a até R$ 4,40 para o mesmo veículo simples. O usuário paga, portanto, caro para ter direito de andar razoavelmente bem pelas estradas do Paraná.

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