Agência Estado,
de São Paulo
A empresa Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, pediu à Comissão de Concessões da Secretaria de Estado dos Transportes que intensifique a fiscalização dos vendedores ambulantes que trabalham no local. Isso seria feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e pela Polícia Rodoviária Estadual.
A solicitação da empresa, que associa os assaltos ocorridos nas estradas a bandidos disfarçados de ambulantes, causou revolta entre os vendedores. ‘‘Nem todo mundo pode pagar pelos erros dos outros’’, disse ontem o ambulante Joaquim Alves de Souza Filho, de 43 anos, que vende doces e bebidas na Via Anchieta, com a mulher para completar o orçamento de sua casa. ‘‘Tinha de tirar os bandidos, não quem está lutando, como nós’’.
No pedido da empresa à Comissão de Concessões não constam somente os assaltos como motivo para a fiscalização desse comércio. Para a Ecovias, a presença dos ambulantes compromete o tráfego, provoca congestionamentos, impede o trabalho de ambulâncias e socorro mecânico, por causa da utilização dos acostamentos. O trânsito pelas pistas coloca também o usuário da estrada em risco de acidentes, conforme a empresa.
‘‘O que deveriam fazer é cuidar das estradas’’, rebateu Souza ontem, diante de um calor de mais de 30 graus e da lentidão de carros na Via Anchieta. ‘‘Olha o congestionamento que está a풒. Em dezembro, foram vários os casos de arrastões na volta dos carros do litoral, com a utilização de bicicletas pelos assaltantes.
Por outro lado, as transportadoras rodoviárias de carga do litoral paulista estão querendo processar a Ecovias, e governo do Estado por causa da interdição parcial da pista Sul da Via Anchieta. Os congestionamentos têm prejudicado o transporte de produtos e causado sérios prejuízos às empresas. A concessionária Ecovias informou ontem que não foi notificada sobre a possibilidade do processo dos transportadores. Segundo a assessoria de imprensa, a empresa pretende entrar em contato com os transportadores da Baixada para discutir o caso.
A Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo (Fetcesp) e o Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) pretendem entrar com ação pública contra a Ecovias. A medida será confirmada em assembléia geral entre os associados do sindicato na quinta-feira, na sede do Sindisan.
Os transportadores alegam que a concessionária não está fazendo manutenção correta no sistema de drenagem da via. Eles também reclamam da operação descida e subida, que estaria prejudicado os motoristas que saem da Baixada para a Capital.