Brasília, 17 (AE) - O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, reafirmou há pouco, em entrevista coletiva, a decisão da agência de permitir o início da operação da Intelig na telefonia de longa distância no País, a partir de janeiro próximo, apesar das críticas do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a essa decisão. "Não vou polemizar com a posição que o ministro teria colocado, pois ele é um homem público e tem o direito de externá-la", afirmou Guerreiro. Ele explicou, no entanto, que o fato de os controladores da Intelig e da Embratel, sua concorrente no mercado brasileiro, estarem se associando no exterior, cria uma situação em que, ou se permite o imediato funcionamento da empresa, com risco de oligopólio, ou se impede o funcionamento, mantendo-se o monopólio. "Estaríamos trocando o oligopólio pelo monopólio, sendo que ambos são maléficos", afirmou Guerreiro.
Ele reafirmou que a Anatel jamais permitirá a continuidade da situação atual e exigirá que, ou a Sprint se desligue da Intelig ou que a MCI se desligue da Embratel. Guerreiro disse, ainda, que a Anatel não vai aguardar que o processo de fusão entre a Sprint e a MCI se conclua no exterior, pois isso poderá demorar 12 meses. "Estamos examinando os pontos do acordo que ferem a legislação brasileira", afirmou o presidente da Anatel, ressaltando que a agência precisa ter toda a segurança jurídica para tomar sua decisão.
Segundo Guerreiro, não se justifica a reivindicação das operadoras regionais de telecomunicações de prestar serviço de longa distância nacional, sob a alegação de que a Embratel e a Intelig não estarão competindo devido à fusão entre controladores das duas empresas. Guerreiro lembrou que no serviço local, onde essas operadoras atuam, ainda haverá monopólio em muitos locais, pois as empresas-espelho não irão atuar em todas as áreas de cada região. "E nem por isso estamos concedendo licença para a Embratel prestar serviço local onde a espelho não vai atuar", comparou Guerreiro.

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