Anatel suspeita de despreparo da Telefônica
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 25 (AE) -A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) suspeita que a Telefônica não se preparou suficientemente para realizar as obras de expansão da rede em São Paulo, o que motivou graves problemas de qualidade dos serviços. "A Telefônica correu um risco e tinha consciência disso", afirmou hoje o presidente da agência, Renato Navarro Guerreiro, que anunciará punições para a empresa. A agência investiga se a operadora tinha pessoal qualificado e mecanismos de proteção suficientes para evitar os transtornos causados.
"A empresa será sancionada", disse Guerreiro, que ainda não definiu qual será a forma de punição. Ele não descarta a possibilidade de que, ao invés de advertência ou multa, a Telefônica seja obrigada a dar algum tipo de benefício para os consumidores prejudicados. "É algo mais simples e mais justo", disse Guerreiro. Em fevereiro, a agência tomou atitude semelhante, determinando que aqueles consumidores com Planos de Expansão vencidos não pagassem taxas de habilitação e recebessem cartões telefônicos para compensar o tempo sem telefones.
Em uma avaliação ainda não oficial, os técnicos da agência acreditam que a proposta da Telefônica de instalar 2 milhões de linhas em 1999, sendo que um milhão a mais que o previsto pela Anatel, foi acima da sua capacidade operacional. "Num caso como este é preciso que a operadora esteja cercada de uma série de precauções", disse Guerreiro. "E neste conjunto de pessoas que estão executando esta atividade na operadora, pode não ter mão-de-obra qualificada na quantidade suficiente que a obra exige", disse o presidente da agência.
Além disso, a agência suspeita que a Telefônica não fez uma rede telefônica de proteção suficiente para evitar que as ligações fossem interrompidas ou conectadas de forma irregular. "Eles talvez não tenham feito uma rede alternativa no volume adequado, como se fosse uma proteção, até por uma questão do prazo que ela se propõs", disse Guerreiro. "Isto exige mais investimentos", lembrou.
Ao decidir fazer uma expansão da rede em um volume inédito na história do País, a Telefônica correu um risco, segundo Guerreiro, "na expectativa de que os problemas que viesse a enfrentar não alcançassem esta magnitude". A empresa não contava, segundo o presidente da agência, que o consumidor está com uma postura muito mais crítica. "O cidadão está mais exigente em seus direitos e isto pode ter causado esta avalanche de reclamações", analisou Guerreiro. A punição que a agência vai aplicar será em relação à qualidade dos serviços e não em relação às linhas ainda não instaladas.


