Anatel exige de operadoras cumprimento de metas de qualidade
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 14 (AE) - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reuniu hoje os diretores das empresas de telefonia fixa de todo o País para advertir sobre a necessidade de cumprir ao longo do próximos meses as metas de qualidade do serviços de telecomunicações no País. O órgão regulador lembrou que pelo menos quatro indicadores de qualidade ainda apontam problemas no atendimento ao usuário pelas operadoras privatizadas.
Segundo os dados referentes ao mês de julho levantados pelas empresas e entregues à Anatel ainda são considerados preocupantes as taxas de chamadas locais e interurbanas completadas entre 20 horas e 22 horas. Nas ligações interurbanas feitas à noite, a "taxa de completamento" de chamadas está 15 9% abaixo das metas. Nas chamadas locais, a agência considera que o volume de chamadas completadas à noite está crescendo em um ritmo mais lento do que o esperado.
"Estes dados referem-se à média brasileira e podem ser diferentes entre as operadoras regionais", ressaltou o presidente da Anatel, Renato Navarro Guerreiro. Outro indicador preocupante, segundo ele, é o número de solicitações de reparo para cada 100 telefones, que deveria ser de 3,84 em julho, mas estava em 5,12. O número de reclamações por mil contas emitidas também está acima da meta. O protocolo estabelece 6,71 por mil em julho, mas as empresas receberam 8,79.
Na área de atuação da Telefônica, antiga Telesp, a agência identificou diferenças ainda maiores do que a média nacional nestes ítens. O volume de solicitações de reparo para cada 100 telefones está 166% acima do esperado em julho e o total de reclamações por erro em conta para cada mil emitidas excede em 100% as metas. Em julho, a taxa de chamadas interurbanas noturnas não completadas estava 16,4% abaixo do esperado.
A reunião de hoje, segundo Guerreiro, serviu para serem feitas recomendações e lembranças às empresas para que corrijam estas distorções até 31 de dezembro. "Na próxima reunião, a qualidade dos serviços será cobrada com base nos contratos de concessão", disse o presidente da Anatel. O contrato deixa claro que as multas para o não cumprimento das metas e parâmetros de qualidade podem chegar a R$ 40 milhões.
"Foi uma reunião didática", afirmou o porta-voz das operadoras, Ércio Zilli, diretor da Telemar. "A Anatel fez um lembrete de todas as obrigações que as empresas têm." A agência também comunicou que nas reuniões para prestação de contas das operadoras, realizadas em agosto, não foram identificadas distorções nos serviços das empresas. Em fevereiro, depois da primeira reunião de avaliação, a agência determinou punições à Telefônica e a Telerj pelo atraso na entrega dos planos de expansão de telefonia vencidos. O presidente da Anatel também solicitou às empresas que melhorem a divulgação de suas ações à população de sua área de concessão. "Elas precisam entender que não são só empresas de telefonia, mas que estão inseridas na sociedade", afirmou Guerreiro. Segundo ele, as operadoras privatizadas estão informando pouco sobre o número de empregos gerados, apoio cultural e social e os investimentos realizados nos últimos meses.


