Anatel deve adiar anúncio de frequência para Banda C
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Carla Jimenez 
Rio, 14 (AE) - O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, disse hoje, durante a Americas Telecom, no Rio, que deve adiar de maio para junho o anúncio da faixa de frequência que será utilizada pelo terceiro competidor de telefonia celular no Brasil, a chamada banda C. Guerreiro decidiu esperar a realização da Conferência Mundial de Radiocomunicações, que acontece entre 8 de maio e 2 de junho, em Istambul, na Turquia, para bater o martelo sobre a frequência mais adequada para o País. "O evento vai debater questões que podem dar subsídios à decisão brasileira", explicou Renato Guerreiro.
Hoje a dúvida é se os concorrentes das atuais operadoras de celulares vão trabalhar num espectro (faixa onde trafegam os sinais de transmissão) de 1,8 Gigahertz (Ghz)ou 1,9 Ghz. Parece uma escolha simples de ser feita, mas que envolve imensos interesses econômicos de empresas que desenvolveram tecnologias específicas para uma e outra faixa.
Companhias européias desenvolveram no início da década de 90 o padrão GSM de telefonia celular, que opera em 1,8 Ghz. A alemã Siemens e a finlandesa Nokia, por exemplo, fabricam telefones para esse padrão. Hoje há pelo menos 240 milhões de usuários de terminais GSM no mundo, principalmente na Europa e na ásia.
Enquanto isso, empresas do continente americano, como Nortel e Qualcomm, desenvolveram ao longo da década a tecnologia para operar na faixa de 1,9 Ghz, no caso, CDMA e TDMA, as mesmas utilizadas pelas bandas A e B no Brasil. Os maiores mercados desses padrões são os Estados Unidos, Canadá, México e alguns países da América do Sul, como Uruguai e Chile. Hoje há cerca de 80 milhões de usuários que operam nesse padrão, batizado de americano.
O Brasil, como um mercado que vai consumir a tecnologia oferecida por um dos dois padrões, vem sendo assediado com promessas de construção de fábricas e injeção de investimentos por empresas que defendem os dois lados. Fala-se num mercado de US$ 8 bilhões para o País com a banda C.
Voz e imagem - A convenção de banda A, B e C para telefonia celular é internacional. As bandas A e B, que em São Paulo, por exemplo, são utilizadas pela Telesp Celular e BCP, respectivamente, ocupam uma faixa de frequência de 800 a 850 Megahertz (Mhz), sendo 25 Mhz para cada uma.
A banda C vai ocupar uma faixa mais larga, entre 80 e 110 Mhz, em que poderão operar mais de uma concorrente. Nessa largura de frequência, é possível operar uma maior transmissão de dados. As operadoras então deverão oferecer massivamente os serviços de troca de mensagens pelo visor do celular, acesso à Internet, etc. Os celulares que vão operar nessa fequência são definidos pelo mercado como telefones de segunda geração. Já os terminais analógicos, que surgiram no início da privatização do sistema de telefonia no Brasil, em 1997, os digitais que estão disponíveis hoje no mercado são considerados de primeira geração
embora muitos já tenham evoluído oferecendo recursos, como o acesso à Internet, que só eram esperados nos telefones da banda C.
Embora essa segunda geração nem tenha chegado ao País, a indústria mundial de telecomunicações já faz planos para os telefones de terceira geração (3G), que vão transmitir voz e imagem, tornando possível ver pelo celular quem está ligando. Esses telefones só devem estar disponíveis em 2003. A União Internacional de Telecomunicações (UIT) sugeriu há alguns anos que os telefones 3G operem na faixa de 1,9 Ghz.
É exatamente a frequência ocupada pela tecnologia do padrão americano da banda C. A Europa acusa os EUA de não ter respeitado a sugestão da UIT. Os EUA se defendem dizendo que o País já havia iniciado a construção de uma infra-estrutura de comunicação para celulares quando a UIT sugeriu o 1,9 Ghz.
Além disso, os telefones que hoje ocupam a faixa de 1,9 Ghz deverão evoluir para a terceira geração nesse mesmo espectro
apostam os defensores dessa faixa.
No fim de março, a Europa deu mais um tiro de canhão para esquentar a guerra entre os dois lados do mundo. Os países europeus fizeram uma proposta à UIT de utilizar futuramente parte da faixa de 2,5 Ghz para garantir que a demanda pelo 3G seja atendida confiando no crescimento do 3G. Acontece, porém, que nos países do continente europeu, incluindo o Brasil, essa faixa é utilizada por operadoras de TVs por assinaturas com a tecnologia de microondas (MMDS). "Questões como essa serão discutidas no mês que vem na Turquia", explicou o presidente da Anatel, Renato Guerreiro. Uma comissão da Agência segue para lá a fim de acompanhar os debates.


