Brasília, 10 (AE) - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou hoje a autorização para que o grupo Rede Brasil Sul (RBS) possa vender sua participação na Telesp Participações para a Telefónica Internacional S/A (Tisa). Um ano e um mês depois da privatização do Sistema Telebrás, o grupo RBS formalmente poderá sair do negócio, depois do desentendimento com os sócios espanhóis da Telefónica, que decidiram arrematar a operadora paulista sem comunicação prévia.
A decisão da Anatel significa a primeira mudança societária autorizada no consórcio que comprou a Telesp Participações, nome oficial da Telefônica, por R$ 5,7 bilhões no leilão de 29 de julho de 1998. Com a autorização do Conselho Diretor do órgão regular, a Telefônica Internacional pode adquirir os 6,34% das ações da RBS e passar a ter formalmente 59 27% das ações da Tele Brasil Sul Participações, que tem o controle da operadora de telefonia do Estado de São Paulo.
"Estamos autorizando agora a fazer a rearrumação societária", explicou hoje o conselheiro da Anatel, Luiz Tito Cerasoli. Na prática, porém, a Anatel sacramentou esta semana, depois de 13 meses, um negócio que foi realizado entre os sócios pouco depois do leilão. Insatisfeita com o resultado da privatização, a família Sirotsky, dona da RBS, decidiu no início de agosto do ano passado sair do consórcio liderado pela Telefónica da España e não exercer o direito de compra das ações da Telesp Participações.
Assim, a Tisa adquiriu a participação do grupo gaúcho. Só em fevereiro deste ano os sócios da operadora paulista pediram que a Anatel homologasse a mudança no consórcio. Até 4 de fevereiro do próximo ano, ou seja, 18 meses depois da assinatura do contrato de concessão, a Tisa deverá ter vendido sua participação na CRT. O Plano Geral da Outorgas não permite que uma mesma empresa controle duas operadoras de telefonia em áreas de concessão diferentes.
A RBS continua sócia do consórcio Tele Brasil Sul (e da Telefónica) na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), seja na empresa de telefonia fixa, seja na celular. A decisão da família Sirtosky de sair do consórcio deve-se à mudança de estratégia dos espanhóis pouco antes do leilão de privatização. O consórcio Tele Brasil Sul já controlava a CRT e em razão disso
a RBS acreditava que o caminho natural seria a compra da Tele Centro Sul, que opera em Pelotas (RS), Paraná e Santa Catarina.
A Tisa, porém, apostou na compra da Telesp, oferecendo R$ 1,8 bilhão a mais que o grupo formado pelas Organizações Globo, Bradesco e Telecom Italia. A decisão dos espanhóis levou a consórcio formado entre o banco Opportunity e os italianos a comprar a Tele Centro Sul, mudando os planos do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, que apostava neste consórcio para a compra da Tele Norte Leste, a Telemar.

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