Brasília, 07 (AE) - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai exigir qualidade das operadoras de telefonia celular e poderá aplicar sanções para as empresas que apresentarem serviços ruins. A agência iniciou hoje uma série de reuniões com as 21 holdings de serviço móvel celular para estabelecer um compromisso de qualidade até o final do ano e depois definir metas para o serviço. "Queremos agir antes dos problemas, para corrigir os desvios", explicou o conselheiro da Anatel, Luiz Tito Cerasoli.
As primeiras empresas que foram ouvidas hoje foram a Telesp Celular, a Ceterp (de Ribeirão Preto) e a Sercomtel (de Londrina). Até o dia 14 ocorrerão outras reuniões com as demais operadoras. A programação de amanhã inclui também a Telefônica Celular e a BCP.
A Anatel quer acompanhar de perto os indicadores de qualidade, o desempenho técnico-operacional, o atendimento à demanda e aos usuários e o planejamento de ampliação da rede de telefonia. As obrigações, segundo o conselheiro, constam dos contratos de concessão. "Havendo degradação na qualidade dos serviços, a agência e outros órgãos de defesa do consumidor podem agir", adiantou Cerasoli, que preside as reuniões. As conversas seguem o mesmo modelo da série de entrevistas feitas pela agência em janeiro com as operadoras de telefonia convencional.
A partir daquelas reuniões, a agência decidiu aplicar sanções contra a Telefônica e a Telerj por não entregarem os planos de expansão vencidos. Na ocasião, as empresas foram obrigadas a compensar os usuários prejudicados. Segundo dados da Anatel, a Telesp teve que gastar R$ 14,9 milhões e a Telerj R$ 12,3 milhões.
As empresas ouvidas têm duas semanas para apresentar em detalhes os indicadores de qualidade exigidos pela Anatel. O presidente da Telesp Celular, José Manuel Romão Mateus, admitiu que em alguns pontos do centro de São Paulo ainda existem problemas no sinal do celular, mas que em geral a "qualidade da rede digital no centro de São Paulo se compara a outros operadores de nível mundial".
Desde fevereiro, a Telesp Celular, que detém 55% do mercado na capital, não apresenta mais filas de espera pelo serviço. A Telesp Celular, comprada pela Portugal Telecom, espera terminar o ano com 2,8 milhões de clientes e pretende investir R$ 1,2 bilhão, basicamente na ampliação da rede de cobertura.
A empresa, assegurou Mateus, não pretende promover aumentos de tarifas no curto prazo. "O mercado é muito competitivo e esta é uma questão reservada, mas costumo dizer que no serviço celular só há a certeza de que os preços devem baixar ao longo do tempo", afirmou o presidente da empresa.

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