Anatel admite processo administrativo contra Telefônica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Cley Scholz 
São Paulo, 23 (AE) - O diretor-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, anunciou hoje que poderá abrir processo administrativo na semana que vem contra a Telefônica, dona da antiga Telesp, para apurar os motivos da enxurrada de reclamações referentes a problemas nas linhas telefônicas nos últimos meses.
A Anatel quer investigar se a Telefônica colocou o sistema em risco ao executar obras de expansão da rede. Os técnicos da agência concluíram uma auditoria na concessionária da telefonia paulista e agora vão comparar as informações com os compromissos assumidos pela empresa no contrato de concessão.
Se ficar constatado que os erros da operadora causaram prejuízos ao sistema, a Telefônica poderá receber desde advertência até multa no valor de R$ 40 milhões.
"Queremos apurar se os cortes temporários nas linhas foram feitos sem considerar os riscos que envolvem uma ação tão grande como a que está sendo executada", disse o diretor da Anatel. "A população tem toda a razão de reclamar e de indignar-se contra a má qualidade do serviço e do atendimento."
Privatização - Guerreiro disse que a onda de protestos contra a Telefônica não compromete o processo de privatização. "Em um ano e meio teremos na telefonia fixa uma situação igual à das empresas de telefonia celular, com o fim das filas, melhora na qualidade e queda dos preços", comentou.
O presidente da Telefônica, Fernando Xavier Ferreira, disse que os problemas nas linhas telefônicas em São Paulo foram causados pelas intervenções que a empresa está fazendo na rede para ampliar a oferta de telefones. Ele garantiu que a situação voltará ao normal até o fim de abril.
"Aumentamos a velocidade de instalação de 50 mil telefones por mês para quase 200 mil e isso provoca alguns problemas, da mesma forma que as obras para duplicar uma ponte ou a reforma de uma casa", comparou. "Os prejuízos são temporários, mas os benefícios são para sempre." Este ano a empresa promete instalar 2 milhões de novos telefones em São Paulo.
Além das queixas dos assinantes, a Telefônica também está sendo criticada por antigos fornecedores de serviços da Telesp. Empresários que participam da Telexpo99, aberta hoje, reclamam que a empresa não está contratando serviços e equipamentos de empresas brasileiras.
Xavier disse que já foram firmados contratos com 70 prestadores de serviços nas áreas de projetos, expansão, reparo e manutenção. Do valor total dos contratos, 90% serão pagos a empresas brasileiras e o restante a, fornecedores espanhóis trazidos pela Telefônica ou associados a grupos nacionais. A maior presença dos espanhóís está na área de projetos, onde existem nove estrangeiras em um total de 27 empresas.
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que abriu oficialmente a feira, disse que o governo está atento e existe uma cláusula no contrato de concessão que proíbe a discriminação de empresas nacionais. "A empresa estrangeira não pode ser privilegiada", comentou o ministro. "Vamos atuar com uma forte ação política", acrescentou.


