Assunção, 27 (AE-IPS) - Analistas e empresários paraguaios estão temendo que o guarani, a moeda nacional, se desvalorize ainda mais e que a inflação escape ao controle do governo com a posse do novo presidente do Banco Central, Washington Ashwell. As idéias do novo titular do BC se identificam com o estatismo do Partido Colorado, do presidente Luis González Macchi. Ashwell prometeu taxas de juros menores que a média do mercado para a indústria e o setor exportador.
Quando González Macchi pediu ao Congresso que ratificasse o nome de Ashwell, este adiantou que não abandonaria mais reservas em defesa do guarani pois US$ 257 milhões tinham se evaporado em três meses, o que reduziu as reservas para US$ 657 milhões. O novo presidente do BC foi embaixador na Grã-Bretanha. Trata-se de um técnico de confiança do Poder Executivo, considerado um burocrata da velha guarda.
Reunido com a equipe econômica do governo depois de assumir o cargo, ontem, Ashwell disse que fará da política monetária uma ferramenta para o desenvolvimento exportador com juros preferenciais e que não gastará sequer um guarani como âncora cambial. O analista econômico independente Ricardo Rodríguez Silvero, diretor do instituto de formação financeira Euro América, advertiu que tudo depende da dimensão: "Tudo é veneno ou não, dependendo da dose".
As taxas de juros preferenciais irão para determinados setores da economia abaixo das taxas de juros do mercado formal, de 40% anuais em guaranis, "mas que ninguém pode pagar com uma inflação de 15%", explicou Rodríguez. O ministro da Indústria e Comércio, Guillhermo Caballero, questiou as taxas cobradas pelos bancos - entre 28% e 40% - e as chamou de "juros de fantasia". Ele prometeu US$ 45 milhões para pequenas empresas a taxas de juros anuais de 12% anuais em guaranis.

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