Analistas revêem cálculos; previsão é de superávit menor
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sexta-feira, 04 de junho de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 5 (AE) - No começo do ano, as avaliações mais otimistas sobre as exportações brasileiras projetavam um crescimento de 10% nas vendas de empresas brasileiras para o exterior em razão do ganho de competitividade obtido com a desvalorização da moeda. Passados quase cinco meses da mudança cambial, a realidade mostrou-se bem diferente. As novas projeções - desta vez feitas em cima da queda real de 14% nos primeiros cinco meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado - apontam para uma possível queda das exportações.
O Departamento Econômico do Citibank estima uma redução de 3% no valor das vendas externas brasileiras este ano, explica o economista-chefe da instituição, Carlos Kawall. Acompanhado de uma retração nas importações de 15% este ano (afetadas pela recessão e pelo câmbio), esse resultado ruim das exportações permitiria um saldo de apenas US$ 1 bilhão na balança comercial do ano.
A primeira projeção oficial do governo - feita na época do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) - era de um superávit de US$ 11 bilhões. Segundo semestre - A estimativa do Citi foi feita quando estava disponível o resultado do primeiro quadrimestre, indicando um valor de exportações 16,5% menor que o de igual período de 98. Kawall - em uma hipótese otimista - acredita que as exportações possam crescer 7% até o fim do ano nos sete meses restantes. Ainda assim, essa evolução não compesaria a perda dos primeiros quatro meses e, na média do ano, o resultado cairia 3%.
Nas contas da Tendências Consultoria Integrada, o saldo do ano deve ficar em US$ 2 bilhões, representando uma queda de 15% nas importações e um "empate" nas exportações, explica o consultor Roberto Padovani. A projeção de um "empate" nas exportações em relação ao ano passado, explica, é "otimista" e pressupõe recuperação de preços de commodities como café, alumínio e açúcar, e recuperação de exportações de manufaturados. Esse segmento foi o que mais caiu nos primeiros cinco meses: 18%. "Se essas perspectivas otimistas não se confirmarem, podemos ter uma queda de 3% nas vendas externas", observa Padovani.
O resultado bem aquém do esperado na balança comercial, observa Kawall, também está relacionado com uma queda de 20% nas relações de troca nos últimos seis meses em relação ao nível médio de preços de 1997.
Desvalorização - A desvalorização, explica o economista, teve impacto negativo sobre os preços em dólar das principais commodities exportadas pelo Brasil. E nos manufaturados, acrescenta, foi comum a concessão de descontos no preço em dólar para o importador. Do outro lado, os produtos importados pelo Brasil (como bens de capital e matérias-primas) ficaram mais caros.
Nível de atividade - As projeções de um saldo melhor na balança comercial brasileira também considerava uma queda maior no nível de atividade. Como a recessão está sendo mais branda (o governo chegou a projetar uma queda de 4% e hoje trabalha com uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) próxima a 1%), as importações também não vão cair tanto, impedindo uma melhora mais significativa da balança comercial este ano.
Para o ano 2000, o Citibank projeta um superávit de US$ 5,7 bilhões, puxado pelo crescimento das exportações e pelo processo de substituição de importações, diz Kawall.


