Analistas prevêem que preço do petróleo continuará oscilando2/Mar, 19:13 Por Irany Tereza Rio, 02 (AE) - A cotação do petróleo continuará oscilando no mercado internacional até o fim da reunião da Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep), no próximo dia 23. "Teremos dias de muita volatilidade até lá, por causa das especulações, mas há uma grande chance de que alguns países produtores aumentem sua produção, especialmente Venezuela e México", diz o analista do Banco Icatu, Márcio Brito, especializado em petróleo. "Se isso acontecer, a redução de preço será imediata." O saldo de um mês de repiques na cotação, porém, terá impacto direto no resultado da conta petróleo de março. Apesar do aumento dos combustíveis, autorizado nas refinarias ontem, o déficit verificado a partir do último trimestre do ano passado deve ser ampliado. O reajuste, que deve ficar, em média, em 5% nos postos de combustíveis nos principais centros consumidores do País, não será suficiente para conter o déficit. Pelos cálculos de Brito, para zerar a conta este ano será necessário, pelo menos, mais um reajuste de combustíveis, igual ou maior ao desta semana, associado a uma queda que leve o petróleo à média anual de US$ 24. "O aumento que estava sendo esperado pela indústria nas refinarias era o dobro do anunciado, e atingindo todos os produtos, não somente a gasolina e o diesel", disse ele. Os recordes de cotação alcançados nas últimas semanas trouxeram de volta o cenário de nove anos atrás, durante a Guerra do Golfo. Mas ainda não assustam o mercado. A grande preocupação está sendo dividida pelas empresas traders de petróleo. "Esta é uma oscilação de curto prazo que não preocupa o mercado", diz Brito. "Há um consenso de que a maioria dos países produtores não tem motivos que os levem a deixar o preço tão alto." Segundo ele, a manutenção de patamares elevados pode criar incentivos à produção de petróleo em áreas remotas, não ligadas à Opep, o que levaria a uma diminuição market share da organização.