Analistas descartam nova queda de juros no Copom
Analistas descartam nova queda de juros no Copom14/Mar, 20:52 São Paulo, 14 (AE) - A decisão do Banco Central de reduzir o recolhimento compulsório de 65% para 55% dos depósitos à vista dos bancos só reforça a impressão de que o Comitê de Política Monetária (Copom) tende a manter a taxa básica de juros em 19%. Para executivos de bancos e analistas, o Banco Central (BC) deve insistir em seu conservadorismo, pois persistem os fatores que levaram o Copom a evitar um corte no juro do overnight na reunião passada: o cenário externo nublado pela alta do petróleo e a expectativa com os juros americanos e o impacto do reajuste de tarifas públicas na inflação - fatores agora acrescidos da incógnita representada pelo salário mínimo. "A medida é altamente elogiável, e veio a tempo, porque com a economia estabilizada, não há motivo para manter esse nível de compulsório, quando no mundo não vai além de 10%. E deixa o BC à vontade para manter a taxa básica inalterada", resumiu o diretor de Assuntos de Tesouraria da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Paulo Mallmann "A redução do compulsório indica, na verdade, que o BCentral dá tanta importância reduzir a taxa Selic quanto o spread bancário. Para o juro básico, vale a cautela, porque os fatores que restringiam sua queda ainda ensejam preocupação", avaliou o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall. "O compulsório não altera o cenário do Copom. Possibilitando, teoricamente, uma queda de juros na ponta do consumidor, o BC não precisa arredar o pé dos 19% no juro do over Selic", referendou o diretor de Renda Fixa da BankBoston Asset Management, Flávio Bojikian. Para o economista José Júlio Senna, sócio-diretor da MCM Consultores, "seria pouco provável que o BC adotasse duas medidas na mesma direção", reduzir o comulsório e também o juro básico. O ex-diretor do BC lembrou uma história sobre Garrincha, a quem perguntaram se sabia chutar com as duas pernas. "Claro, mas com uma de cada vez", respondeu o craque. Além do petróleo e de pressões inesperadas sobre os preços, Senna observou que a questão do reajuste do salário mínimo saiu do controle do governo. Um aumento de 15%, por exemplo, teria impacto de meio ponto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio. Assim, o IPCA de 0,13% de fevereiro não deve influir na decisão do Copom, segundo esses analistas e executivos. "A queda da inflação neste mês surpreendeu um pouqinho, mas o que prevalece, no caso do Copom, é a expectativa da inflação futura", lembrou Bojikian, do Boston, para quem o Comitê só deverá começar a mexer na taxa básica quando a inflação, anualizada, estiver em cima ou abaixo da meta de 6% no ano. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 7 86%, pouco acima da meta de 7,5% para o primeiro trimestre. Entretanto, a trajetória de recuo da inflação, confirmada ainda pela queda de 0,15% do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas na primeira quadrissemana de março. "O importante é que os dois índices mostram que a pressão inflacionária vem de fatores pontuais", frisou a economista Camila de Farias Lima, do Banco Santander, para quem o IPCA tende a fechar o primeiro trimestre em 7,3% em 12 meses. "A questão é que imaginaram uma queda linear da inflação no acordo com o Fundo, mas devem estar revendo isso", observou Camila, lembrando que as metas trimestrais são de 7,5% no primeiro trimestre; 7% no segundo; 6,5% no terceiro, e 6% no final do ano. Ela insistiu que, mesmo com uma perspectiva de queda não linear, porque existe a possibilidade a inflação acelerar no próximo trimestre e no seguinte, o Copom poderia reduzir o juro básico para 18,75% . Um dos motivos é a queda do dólar e seu reflexo nos preços no atacado . Bojikian concorda que a trajetória descendente do dólar deve resultar em menor pressão sobre os preços no atacado no segundo trimestre, porém o terceiro trimestre é preocupante por causa das eleições, "quando ninguém sabe o que pode acontecer".





