Rio, 17 (AE) - Analistas de bancos de investimento consideram improvável a hipótese de privatização da Petrobrás durante o governo Fernando Henrique Cardoso. As dificuldade políticas enfrentadas atualmente pelo governo e o compromisso do presidente em manter a empresa nas mãos do Estado são razões apontadas para que a venda não aconteça até o fim do mandato de Fernando Henrique.
O Banco Icatu trabalha com um cenário de privatização da Petrobrás a partir do ano 2004, de acordo com o analista do banco especializado na companhia, Márcio Britto. Ele explicou que o cenário leva em conta que o presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu em sua campanha não privatizar a companhia e a sua venda, se feita pelo seu sucessor, exigiria pelo menos dois anos de preparação.
Britto ressalvou que o cenário traçado pelo banco é conservador e pode mudar dependendo das pressões internacionais para a venda da empresa e a atividade econômica no País se agravar. Segundo o analista, a privatização não encontraria a resistência - que certamente seria esperada no passado - entre os funcionários da empresa, que já vêem com bons olhos a viabilidade de unir-se a um parceiro estratégico.
Para explicar esta impressão, Britto disse que há três meses um especialista do Icatu que faz análises da Petrobrás foi à companhia, apresentar cenários que incluíam a possibilidade de privatização. O assunto não chegou a causar polêmica entre a audiência, formada de funcionários da carreira da estatal, apesar de resistências à venda. "Antes, nem se pensava em privatizar a Petrobrás", afirmou. "Houve uma evolução muito grande".
A associação com um parceiro estratégico seria possível com a venda de 32% das ações ordinárias da companhia que estão em poder do BNDES. Mas para atrair este parceiro, alertou Britto
seria preciso que o contrato de venda das ações desse a quem comprasse o lote poder de decisão dentro da Petrobrás, e não apenas a mera propriedade das ações.
O analista do Icatu lembrou que pelo novo estatuto da empresa, que está à espera de aprovação pelo governo federal, está prevista a eliminação de restrições existentes à participação de empresas estrangeiras na composição acionária da Petrobrás. Ele defendeu a divisão da empresa, no caso de sua venda, para impedir que o comprador assumisse, na prática, o monopólio privado do setor no País.
Decisão política - O analista do Banco Bozano, Simonsen, Rodrigo Marques, afirmou que a privatização da Petrobrás não é viável, à curto prazo, por razões políticas. "Exigiria uma amarração política muito grande, o índice de aprovação do presidente Fernando Henrique Cardoso está muito baixo e o tema traria à tona uma reação nacionalista", enumerou Marques, para explicar sua descrença na possibilidade de venda da estatal.
Em um horizonte de dois anos, segundo Marques, seria possível a venda de ativos da empresa, como a BR Distribuidora. Mas esta venda também dependeria, primordialmente, de uma decisão política, lembrou o analista. "E é difícil tentar prever a vontade política de alguém", concluiu.

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