Washington, 17 (AE) - A inflação nos Estados Unidos (cujo ressurgimento tanto preocupa governos e investidores no mundo inteiro) está sob controle por enquanto. Mesmo assim, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mantém a sua decisão de maio passado, de querer elevar as taxas de juros de curto prazo. Como o aumento, se houver, será menor do que o previsto, os mercados hoje reagiram bem.
Os rumos da política monetária dos EUA foram, de certa forma, antecipados hoje pelo presidente do Fed, Alan Greenspan. Ele discursou perante o Congresso, um dia depois da divulgação de dados otimistas do Departamento do Trabalho americano, que levaram os mercados à euforia.
Se em abril o Índice de Preços ao Consumidor (a principal medida da inflação nos EUA) havia subido 0,7% (o maior salto mensal em nove anos), em maio o aumento foi 0%.
Mesmo assim, advertiu Greenspan, é sempre melhor prevenir do que remediar. Em linguagem cifrada (ele jamais antecipa as ações do Fed), o presidente do Fed explicou que o banco central deveria pensar em adotar medidas preventivas para desaquecer a economia, antes que as pressões inflacionárias aumentassem.
Segundo Dick Berner, economista chefe para Estados Unidos do banco de investimentos Morgan Stanley/ Dean Witter, "isso quer dizer que as taxas de juros serão elevadas em 25 pontos básicos". Até hoje, muitos operadores de mercado esperavam aumentos maiores, que variavam entre 50 e 75 pontos básicos.
As especulações começaram a surgir com mais força há um mês, quando o Fed manteve inalteradas as taxas de juros, mas abandonou a posição neutra que vinha adotando desde novembro do ano passado. Em meados de maio, a Comissão Federal de Mercado Aberto (Fonc, o foro de 12 dirigentes do BC americano, que traça o rumo de política monetária em 8 reuniões anuais), indicou ao mercado a sua disposição de aumentar o sjuros nos EUA para conter eventuais pressões inflacionárias.
A decisão foi tomada depois do aumento inesperado da inflação de abril e uma vez superada a pior fase da crise financeira internacional (que levou os EUA a reduzirem seus juros, para estimular investimentos estrangeiros em economias emergentes). A próxima reunião da Fonc será nos dias 29 e 30 deste mês, quando muitos analistas esperam seja anunciado um aumento pequeno das taxas de juros.
No seu discurso ao Congresso hoje, Greenspan atribuiu o sucesso da economia americana (que resistiu à crise financeira internacional, iniciada em meados de 1997 na ásia) ao controle da inflação. "A maior ameaça à economia americana é o ressurgimento da inflação, e o maior desafio do Fed é não permitir que isso aconteça", explicou Berner. "Por isso, a política preventiva, de se antecipar às pressões, foi bem acolhida", concluiu.
Em seu discurso, Greenspan fez questão de explicar que o controle da inflação é essencial: a estabilidade de preços faz com que os empresários decidam investir mais na produção. Mas os EUA, segundo ele, não podem depender do aumento da produtividade para garantir o controle da inflação. "O crescimento da produtividade não pode ser indefinido", disse Greenspan.
O importante para o mundo é que a economia americana continue crescendo e absorvendo as exportações dos países em crise. Mas o déficit na balança comercial dos EUA continua alta: cerca de US$ 218 bilhões anuais. No entanto, Greenspan hoje deu uma dica para os operadores de mercado americanos e dos mercados emergentes; o controle da inflação é o indicador ecônomico essencial.

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