Analistas acham que o desemprego não cairá no Chile
Santiago, 30 (AE-IPS) - O governo do Chile afirma que o desemprego vai diminuir com a reativação econômica a partir deste mês. Porém, esse relativo otimismo é contestado pelo independente Programa de Economia do Trabalho (PET).
Em agosto, o desemprego chegou ao seu número máximo nos últimos doze anos: 11,5% da força de trabalho segundo informe entregue esta semana pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
O ministro da Economia, Jorge Leiva, e dirigentes empresariais, coincidem que a taxa de desemprego de setembro, ainda não divulgada, deve ficar no patamar de 12% e que o número deve cair a partir deste mês.
Como o governo espera que a atividade econômica entre em recuperação a partir deste último trimeste, no que concordam os empresários, ambos setores acreditam que a desocupação feche o ano em 10%.
A economia chilena completou em julho dez meses sucessivos de queda do produto, mas o INE acredita que essa tendência foi controlada em agosto, com um crescimento zero, mas também sem recessão nesse mês.
Em setembro havia um índice levemente positivo para o Produto Interno Bruto (PIB), para iniciar uma franca recuperação em outubro, que diminuiria substantivamente a queda de 3,2% acumulada nos sete primeiros meses do ano. Patricio Escobar, economista do PET, discorda do otimismo oficial ao dizer que Chile ainda está longe de "encontrar uma quebra na tendência" na evolução do aumento do desemprego.
O PET é uma organização acadêmica não governamental ligada à Igreja Católica, que mantém uma posição crítica sobre o impacto social das medidas com que o governo enfrentou as repercussões da crise internacional. Tenho minhas dúvidas sobre a possibilidade de o INE estar detectando com clareza o que está acontecendo com a força de trabalho", acrescentou Escobar.
As pesquisas sobre ocupação da entidade governamental têm uma metodologia diferente das que a Universidade do Chile realiza em Santiago e que dão um desemprego mais elevado. O INE avalia como ocupados os que exercem trabalhos esporádicos e de tempo parcial, assim como os que se desempenham no setor informal e que constituem cerca de 30% da população economicamente ativa.
Máximo Aguilera, diretor do INE, disse que um sinal positivo em agosto é que aumentou a força de trabalho em 0,5% com relação ao mês anterior e em 1,5% em relação a agosto de 98, ou seja, que existem mais pessoas precisando de emprego. A força de trabalho, conforme pesquisa da INE por pessoas de 15 anos ou mais que estão ocupadas ou que perderam seu emprego, ou que buscam trabalho pela primeira vez, chegou em agosto a quase 5,8 milhões. Sobre esse total, o número de desempregados chegou a 664.750 pessoas, de acordo com a taxa de 11,5%, a mais alta desde setembro de 1987, nos anos finais da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990).
Em agosto, o desemprego cresceu em todo o Chile. As zonas mais afetadas foram a região de Valparaíso, Coquimbo e a região metropolitana, que compreende capital e arredores. O desemprego juvenil continua o pior. O desemprego atinge 34,4% da população entre 15 e 19 anos e de 22,9% entre os que têm entre 20 e 24 anos de idade.





