Rio, 21 (AE) - A renda variável voltará a ser a grande vedete dos fundos de investimento este ano. A transferência das aplicações em renda fixa para as bolsas de valores deve elevar em 55,5% a participação das ações na indústria de fundos mútuos brasileira em 2000. Um estudo feito pelo diretor da área de análise de investimento em ações da Merrill Lynch, Marcelo Audi, revela que a queda das taxas de juros abriu espaço para que as ações voltem a responder por 14% das aplicações, nível recorde alcançado em julho de 1997.
"O retorno das aplicações em renda fixa no Brasil já é o mais baixo desde o início do Plano Real" , afirma o executivo. "Isso vai estimular o investidor a procurar ganhos maiores." Audi aposta em um cenário positivo para as bolsas de valores brasileiras em 2000, com os investidores locais sustentando a valorização do mercado.
Outro fator que deverá alavancar o mercado acionário é a decisão do Banco Central de permitir que os fundos de renda fixa apliquem até 49% de seus recursos em ações. Em artigo este mês na revista Conjuntura Econômica da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
o diretor-executivo da Merrill Lynch, Alexandre Koch, explica que essa mudança pode estimular investimentos mais sofisticados, como os fundos de derivativos.
A idéia é oferecer um leque mais variado de produtos, que se adapte ao perfil de cada cliente. Com isso, quem quiser dar mais agressividade à sua aplicação pode escolher um fundo de renda fixa com um percentual maior de investimento em ações. Segundo ele, o desenvolvimento da indústria de fundos no Brasil será alcançado quando os bancos começarem a tratar os investimentos com mais sofisticação e não como produtos de prateleira.
Audi avalia que a participação das ações no patrimônio dos fundos mútuos e de pensões é muito pequena no Brasil se comparado a outros países. Dados da Associação Brasileira de Previdência Privada (Abrapp) mostram que 37% do patrimônio médio dos fundos está aplicado em ações em novembro, incluindo as participações estratégicas. Esse percentual já chegou a 42% em dezembro de 1994. "Ainda existe muito espaço para crescimento"
avaliou. "O limite de investimento em ações dos fundos é de 50%." O diretor da Merrill Lynch projeta um crescimento também do fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil este ano. O entrave, segundo o diretor, seria um aumento expressivo dos juros nos Estados Unidos.
"Isso poderia reduzir a velocidade dessas entradas", alerta. "Mas, nossa expectativa é de uma melhora no fluxo de capital externo para Brasil."

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