São Paulo, 20 (AE)- A queda nas bolsas brasileiras (0 96% na Bovespa às 12h55) e a forte alta do dólar no mercado de câmbio (1,38% às 12h55) não podem ser atribuídas à Argentina. A opinião é de José Costa Buck, analista do Robert Flemings Argentina. Em entrevista à Agência Estado, por telefone, de Buenos Aires, Costa Buck disse não ter fundamento atribuir o nervosismo no Brasil aos rumores e,depois, aos desmentidos feitos na Argentina entre ontem à noite e hoje de manhã.
De acordo com ele, a forte queda ontem na Bolsa de Buenos Aires (4,30%) também não pode ser atribuída apenas aos rumores da eventual renúncia do ministro de Economia, Roque Fernández, ou ao eventual abandono da conversibilidade de um dia para o outro. "Além dessas especulações não terem fundamento, o mercado não poderia apenas reagir a esses dois fatos", disse Costa Buck. De acordo com ele, há outros fatores importantes que podem ter sido considerados, como a "briga" entre governadores de Províncias e o governo federal por causa dos cortes no orçamento deste ano. Outro fator é a questão do déficit fiscal, que foi ampliado de US$ 4,9 bilhões para US$ 5,1 bilhões, sendo parte da nova meta com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Indagado se existe a possibilidade de a Argentina não cumprir essa nova meta, o analista do Robert Flemings disse que essa meta é perfeitamente possível de ser cumprida. Ele explicou que a revisão das metas com o FMI não é decorrente de algum problema exclusivamente interno, mas de fatos externos, como a desvalorização do real. "As metas fiscais argentinas estavam baseadas nos resultados da economia do ano passado, ou seja, antes da desvalorização do real e antes do impacto desta na economia", disse Costa Buck. Para ele, essa revisão com o Fundo foi necessária devido aos efeitos da crise na economia argentina. Costa Buck disse ainda que os números de março e abril na economia do país vem, embora de forma tímida, apresentando uma ligeira recuperação.

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