Análise revela baixa quantidade de iodo em duas marcas de sal de cozinha
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 02 (AE) - Análises laboratoriais de 20 marcas de sal de cozinha, encomendadas pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), revelaram quantidades de iodo em níveis inferiores ao exigido pela legislação em duas delas (Gauchão e Pirata temperado, ambas de sal grosso). Para Sizefredo Paz, consultor-técnico do instituto, a constatação é grave do ponto de vista da saúde pública, pois o sal é a principal forma de suprimento de iodo à população para a prevenção do bócio e do cretinismo, moléstias provocadas pela ausência do mineral no organismo. As duas marcas foram consideradas impróprias para o consumo pelo Idec.
"Passados mais de 40 anos da lei que tornou obrigatória a iodação do sal, ainda encontramos marcas sem o mineral", disse Paz. "Isso é ainda mais preocupante se lembrarmos que foi firmado um pacto entre a indústria salineira e entidades que representam consumidores, em abril, que estabeleceu como meta a erradicação do bócio até 2000". O bócio, uma ampliação da atividade da glândula tireóide, provoca em adultos apatia e fadiga, além do característico inchaço no "papo". O cretinismo é uma deficiência mental grave em crianças. O temor do Idec é o de que, pelo fato de a produção de sal ser muito fragmentada, ocorram dificuldades na fiscalização da iodação.
Segundo a entidade, existem 169 estabelecimentos produtores, dos quais 84% são micro e pequenas empresas, que representam 10% da produção. O Idec reconhece que houve um avanço em relação ao levantamento patrocinado pela entidade em 1996. Na ocasião, foram constatados problemas com o teor de iodo em metade das 12 marcas analisadas. No último levantamento, porém, foram detectadas também irregularidades na observação de padrões de qualidade do produto e na rotulagem.
As marcas Cisne e Sal & Sabor, de sal refinado, e Nevado
de sal moído, apresentaram teor de umidade acima do permitido. As marcas Diana e Cinco Estrelas, de sal refinado, tinham granulações maiores que o especificado. As marcas Cinco Estrelas e Jasmin estavam com rótulos considerados ruins, pois não apresentavam registros no Ministério da Saúde, o número de lote, as datas de fabricação e a validade.


