Análises realizadas por técnicos especialistas em toxicologia de algas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, vão definir se a toxicidade das algas encontradas há três semanas na Baía de Guaraqueçaba, Litoral do Paraná, afetaram os moluscos do local. Na época, centenas de peixes apareceram mortos na região.
Estudos comprovaram que a causa da mortandade foi a proliferação de algas tóxicas. Agora, os técnicos querem saber se a alga afetou os moluscos, que são as espécies mais resistentes às toxinas. O resultado dos exames vai definir a liberação da pesca na baía, proibida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) há quatro dias.
Os técnicos estiveram em Guaraqueçaba anteontem e recolheram moluscos de três pontos da baía: Medeiros, Ilha Rasa e Guapicu. Os resultados devem ser concluídos amanhã. ‘‘Vão ser realizados testes com ratos para verificar o nível da toxicidade das algas’’, informou o superintendente do Ibama no Paraná, Luiz Nunes Melo. Ele explicou que os moluscos são espécies ‘‘filtrantes’’ das toxinas. Dependendo da conclusão dos exames, disse Melo, será preciso retirar todos os moluscos da região.
Até ontem, não havia o registro da entrada em postos de saúde e hospitais do Litoral de pessoas com sintomas de intoxicação por algas. Na semana passada, antes do Ibama ter proibido a pesca no local, a reportagem da Folha percorreu os pontos onde os peixes estavam morrendo e constatou que moradores não deixaram de se alimentar dos animais pescados na Baía de Guaraqueçaba. ‘‘As toxinas dessas algas não afetam a população’’, garantiu Melo.
No entanto, enquanto não for constatado se as algas atingiram as espécies mais resistentes da baía, a pesca não será liberada. O prazo do Ibama para liberar a pesca acaba no próximo dia 25.
Para a proibição, o órgão se baseou em laudo técnico das algas, realizado pelo Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Essas algas são nocivas quando encontradas mais de 1 milhão de células por litro de água do mar. Amostras coletadas demonstraram presença de mais de 2 milhões de células por litro.
As microalgas são do tipo Heterosigma cf.carterae e apresentam toxinas que atingem as brânquias dos peixes, causando morte por asfixia.

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