São Paulo, 16 (AE) - Cerca de 15% dos importadores estrangeiros analisados no segundo semestre de 1999 pelo F.B.I - Foreign Business Information - serviço de análise de riscos comerciais do Grupo Aduaneiras, foram reprovados para operação de crédito aberto. O percentual é considerado elevado pelo gerente do F.B.I., Edson Gonçalves, que recomendou aos exportadores, nesses casos, a utilização de cartas de crédito ou pagamentos antecipados nas transações.
"Caso essas empresas não tivessem nos consultado poderiam sofrer prejuízos de até US$ 225 milhões, valor muito elevado se considerarmos que menos de 50 empresas brasileiras exportam acima desse valor anualmente", avalia.
Segundo o balanço realizado pela empresa, a média de limites de crédito passou para US$ 210 mil ante uma média de US$ 150 mil registrada nos primeiros seis meses do ano passado. "O total de operações a crédito analisadas pelo F.B.I. alcançou US$ 1,5 bilhão, valor extremamente importante, se levarmos em consideração que a SBCE estima efetivar seguro de crédito a exportação de US$ 2 bilhões em 2000", afirma Gonçalves.
Para o executivo, os montantes negociados no comércio exterior são elevados e um embarque de mercadorias para um importador estrangeiro dificilmente envolve valores inferiores a US$ 50 mil. Segundo Gonçalves, somado a isto, tem-se um predomínio de operações envolvendo prazos inferiores a 60 dias.
Os valores trazem à tona a importância de se ter em mãos a maior quantidade possível de informação para avaliar a concessão de crédito a clientes estrangeiros, segundo o executivo. "Embora a média de limites de crédito verificada não signifique que as empresas efetivamente exportaram aquele valor para os importadores estrangeiros, é correto afirmar que pelo menos houve uma possibilidade ou sondagem para se fazer negócios naquele volume", explica.
Outro dado observado pela equipe do F.B.I., ao final de 1999, é que 69% das solicitações de análise foram a respeito de clientes de países da América do Sul contra 64% verificado no ano anterior.
Os países da América do Norte e ásia responderam por 10% e 15% das consultas, respectivamente. No primeiro semestre eram de 13% e 14%. Clientes do mercado europeu representaram 5% (no primeiro semestre era 9%) das consultas e 1% sobre clientes africanos. "A variação não foi muito expressiva e foi representada principalmente pelo aumento de consultas sobre clientes do Equador e Argentina de agosto a outubro de 99 por causa de rumores de instabilidade econômica nestes locais", disse.
Segundo o gerente do F.B.I., descontadas as particularidades dos segmentos, tipo de produto, e volume das exportações do Brasil para os mercados citados, percebe-se que o exportador brasileiro possui uma postura liberal com os clientes de mercados de primeiro mundo. "Liberal ou conservadora a postura, o que não pode ser deixado de lado é o constante cuidado na avaliação dos riscos que a empresa exportadora estará assumindo", acrescentou Gonçalves.
Para o executivo, manter os clientes estrangeiros sob acompanhamento e avaliar a concessão de crédito a clientes novos é postura ideal a ser adotada por qualquer empresa exportadora que esteja disposta a operar no comércio exterior sem riscos de se ver vítima de inadimplência.

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