Análise de documentos prossegue em ritmo lento
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 10 (AE) - Documentos, unidades de processamento de computadores e disquetes, que serviriam para dar consistência às investigações, ainda aguardam análise de agentes do governo e técnicos da Câmara, destacados para apoiar os trabalhos da CPI do Narcotráfico. Há informações sobre contas bancárias, movimentação de empresas e listas de pessoas, que podem conter indícios ou provas do envolvimento com esquemas de tráfico de drogas no País.
No Centro de Processamento de Dados do Senado (Prodasen), um funcionário foi desalojado e sua sala, lacrada, vem sendo guardada 24 horas por seguranças desde o dia 2, quando chegou ao local parte do material. Enquanto os parlamentares da CPI viajam em diligências, muitas informações necessárias para confrontar os depoentes continuam desconhecidas. "Esperava que a análise de documentos andasse mais rápida", admitiu, hoje, o relator da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE).
Ele está disposto a solicitar mais agentes do serviço de inteligência do governo, caso os seis que já trabalham com a CPI necessitem de reforço para fazer a triagem. "Na próxima semana, começaremos a organizar o processo de análise", garantiu. Em fevereiro, quando retomarem as atividades e as sessões de depoimentos, os deputados querem contar com informações mais técnicas.
Os integrantes da comissão têm pressa porque já começou a contar o prazo de 120 dias de prorrogação dos trabalhos. Para Moroni Torgan, existem pelo menos 30 quebras de sigilo bancário, telefônico e fiscal importantes a serem feitas - incluindo a do legista Fortunato Badan Palhares e a do empresário de Campinas William Sozza.
A CPI espera obter indícios ou provas com o cruzamento de informações solicitadas pela CPI ao Banco Central e à Receita Federal. O trabalho inclui análises de ligações telefônicas e da evolução patrimonial e bancária de dezenas de pessoas consideradas suspeitas de integrarem quadrilhas. Segundo Torgan, uma das missões é definir se há ligação entre o esquema de tráfico de Campinas e o empresário Paulo César Farias, o PC, morto em 1996. "Existem informações a ser cruzadas de empresas de Campinas e de Alagoas", explicou o relator da comissão.
Devolução - A documentação, existente no Prodasen, poderá ser devolvida para a sala da CPI do Narcotráfico, no anexo II da Câmara, onde já estão sendo analisadas outras informações enviadas aos deputados. De acordo com o Prodasen, os técnicos estavam esperando a indicação de alguém da CPI para começar o processo de abertura do material contido na sala lacrada. Os técnicos, porém, não fazem análise de conteúdo: apenas constroem programas ou os adaptam, para facilitar o trabalho de busca de dados.
Durante a convocação extraordinária do Congresso, em janeiro
os integrantes da CPI só estarão na casa para tratar das votações. "Durante esse período, eu vou acompanhar a avaliação dos dados e, se achar que está devagar, pego mais gente", adiantou Moroni Torgan.


