Análise da Unicamp indica que fitas foram usadas em grampo
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 05 (AE) - A Polícia Federal (PF) tem indícios materiais de que o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo", principal suspeito do grampo no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fazia escuta clandestina. Uma análise preliminar feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, nas fitas cassete apreendidas na casa de "Telmo" indicou que o material foi usado em interceptações telefônicas e, depois, desgravado.
Na casa do agente, foi encontrado um desmagnetizador, usado por profissionais para apagar gravações. Se o trabalho, porém, é feito de forma rápida, pode deixar vestígios do material interceptado e uma boa perícia consegue recuperar trechos da gravação. Foi o que aconteceu nas fitas de "Telmo": segundo fontes ligadas à investigação, embora o laudo ainda não esteja pronto, há ruídos que indicam uma gravação obtida por grampo.
Se o laudo confirmar isso, a polícia terá em mãos uma importante prova técnica contra "Telmo". Mesmo que o teor das gravações não se relacionem ao grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), poderá ficar demonstrado que o agente fazia escuta clandestina. No despacho em que revogou a prisão preventiva de "Telmo", a juíza substituta da 2.ª Vara Federal do Rio, Cláudia Valéria Fernandes
argumentou que apenas o desmagnetizador não provava o envolvimento do agente com escuta clandestina, que era um dos fundamentos do pedido de prisão.
O Ministério Público Federal (MPF) entrou ontem (04) com um recurso contra a revogação da prisão de "Telmo". Até o fim da tarde de hoje, o juiz titular da vara, Alexandre Libonatti, não havia decidido sobre a questão. Amanhã (06), a PF deverá ouvir o engenheiro civil Nelsino Drozczak da Silva, apontado pelo ex-policial federal Célio Arêas da Rocha como "sócio" de "Telmo" no esquema de escuta.
Silva pretende dizer ao delegado federal Rubens Grandini que, embora faça varreduras, nunca vendeu equipamentos de segurança nem "divide" com "Telmo" uma maleta antigrampo, como afirmou Rocha no depoimento em juízo.
Mas o major reformado do Exército Divany Carvalho Barros
também apontado pelo ex-policial como "sócio" de "Telmo", afirmou que Silva vende equipamentos antigrampo. Segundo o major
que tinha uma empresa de segurança na qual Rocha trabalhava, o engenheiro foi apresentado a ele pelo ex-policial. "Ele queria vender-me uma maleta antigrampo, mas achei cara e preferi apenas o chamar para fazer serviços quando precisasse", contou Barros.
Segundo ele, "Telmo", por ser amigo dele, frequentava o escritório e, dessa forma, conheceu Silva. No depoimento, porém, Rocha afirmou que o agente era um sócio informal da empresa e fazia grampos para os clientes de Barros.


